Filhos de Vladimir Herzog reconhecidos como anistiados políticos vão receber R$ 100 mil cada
O Brasil
reconheceu Ivo e André Herzog como anistiados políticos. Filhos do jornalista
Vladimir Herzog, morto sob tortura pela ditadura militar em 1975, eles
receberão um pedido oficial de desculpas e uma indenização de R$ 100 mil cada.
O reconhecimento
foi formalizado por meio de portarias assinadas na última sexta-feira (9) pela
ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo. Os atos foram
publicados no Diário Oficial da União desta segunda-feira. No ano passado, a
condição de anistiada política já havia sido concedida à viúva de Vladimir,
Clarice Herzog, ampliando o processo de reparação à família.
Relatora dos
pedidos de Ivo e André na Comissão de Anistia, a conselheira Gabriela de Sá
afirma que a decisão representa uma reparação histórica e reconhece os impactos
da ditadura que atravessaram gerações.
Segundo ela, a
legislação brasileira considera anistiadas todas as pessoas atingidas por atos
de exceção, o que inclui medidas que afetaram diretamente a convivência
familiar. “Quando o Estado impõe restrições à vida familiar, ele viola direitos
fundamentais dos filhos e filhas de pessoas perseguidas politicamente”,
explicou.
A análise dos
processos, de acordo com Gabriela, mostra como os irmãos foram profundamente
marcados desde a infância pelas disputas em torno das versões oficiais sobre a
morte do pai. Ela destaca, em especial, a exposição pública da imagem de
Vladimir Herzog morto na cela do DOI-CODI, em São Paulo. “Esses elementos
evidenciam violações de direitos humanos que atingiram diretamente Ivo e André
durante a ditadura”, afirma.
Criada pela Lei
nº 10.559, de 2002, a Comissão de Anistia é responsável por analisar pedidos de
reconhecimento de perseguição política e emitir pareceres sobre os casos.
Vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a comissão tem
papel central nas políticas de memória, verdade e justiça.
Em 2025, o
órgão voltou a ganhar protagonismo na agenda da justiça de transição. Ao longo
do ano, foram realizadas 28 sessões de julgamento, com a publicação de 1.463
portarias decisórias. Também houve ampliação do atendimento aos requerentes,
com cerca de 2,6 mil orientações prestadas.
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