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“Cuidar da mente é recomeçar”, Dr. Aníbal explica significado do Janeiro Branco

A Gazeta de Limeira traz uma entrevista com Dr. Anibal Olivan Filho, médico psiquiatra com especializações em Medicina Social, Medicina do Trabalho e Administração Hospitalar, mestre em Bioética e ex-professor da Faculdade de Medicina ABC.

Instituído em 2014, o Janeiro Branco foi começou em Minas Gerais e hoje é lei, curiosamente respaldada pela lei número 10.216/2001. Mas qual o significado, sua importância e por que janeiro branco? Janeiro significa recomeço, a oportunidade de acertar e fazer melhor aquilo que no ano anterior não estava bem. Branco representa uma página em branco, na qual podemos escrever o recomeço com nossa individualidade, experiência e, principalmente, criar um novo capítulo na história de vida de cada pessoa. O importante é saber que sempre podemos recomeçar de uma maneira melhor para nós mesmos, com mais significado para a vida.

Saúde mental é sobre a pessoa e tudo o que a rodeia. É um tema amplo, complexo e universal, mas é preciso ter em mente que é viável, depende de cada um e envolve um processo de mudança. Muitas vezes resistimos inconscientemente a essa mudança, mas é necessário enfrentá-la com altivez e determinação. Essa postura é o que faz a diferença e concretiza a realização do que se deseja. Portanto, Janeiro Branco, como reflexão sobre saúde mental, é um convite a escrever um novo capítulo na vida.

Um ponto importante é perceber, individualmente ou ao observar outra pessoa, que se alguém não está confortável ou não se sente bem em seu mundo interior, deve procurar ajuda profissional. O preconceito ainda existe ao procurar psiquiatra ou psicólogo, muitas vezes sustentado por uma frase antiga, preconceituosa e totalmente equivocada: “não vou procurar porque não estou louco”. Loucura, na realidade, não existe; existem pessoas com transtornos que precisam de tratamento. Hoje, os transtornos mentais são considerados patologias, doenças como diabetes ou hipertensão, e necessitam de tratamento. Eles são tratáveis e controláveis, e os pacientes, após o tratamento, podem levar uma vida normal e produtiva. Existem limites, mas, como em outras doenças, eles costumam ser menores, permitindo uma vida absolutamente normal.

Como professor de medicina há muitos anos, Dr. Anibal explica que a psiquiatria é estudada como neurociência. Quanto mais desvendamos os segredos do cérebro, mais entendemos o neurônio, a célula de maior plasticidade no organismo, e mais complexa e diferenciada ela se mostra. Esse conhecimento permite compreender melhor as doenças, fazer diagnósticos mais assertivos e oferecer tratamentos eficazes. O avanço do conhecimento não para e não pode parar, e o mundo conectado atualmente contribui para aprimorar os tratamentos.

Cuidar da saúde mental é cuidar de si mesmo, ter carinho e respeito por si, basicamente aprender a gostar de si. Ao mesmo tempo, é um caminho de aprendizado que pode se tornar mais confortável. Nesse trajeto haverá dificuldades, mas a vida é sobrepor essas dificuldades e vencê-las, ou contorná-las, sem sofrimento significativo. Dr. Anibal reforça que ninguém deve sofrer, mas reconhece que o sofrimento é real; no entanto, é possível reduzir ou até eliminar grande parte dele. Esse processo envolve crescimento mental, refletindo diretamente sobre a saúde mental.

Em sua experiência, ele percebe três pontos que dificultam a evolução pessoal. O primeiro é transferir responsabilidades: quando tudo que acontece de ruim é culpa dos outros, o indivíduo não faz reflexão interna e busca o caminho mais fácil, transferindo a culpa. Crescer significa ter senso crítico, analisar o ocorrido e corrigir para que não aconteça novamente. Dessa forma, aprendemos a lidar com situações e melhoramos como pessoa.

O segundo ponto é o imediatismo: vivemos em um mundo de comunicação muito rápida, mas o crescimento e a maturação requerem tempo, o tempo de cada pessoa. Não é possível ter tudo no momento desejado; é necessário paciência e tolerância. O imediatismo leva a erros e sofrimento desnecessário. É fundamental entender que cada pessoa tem seu próprio tempo.

O terceiro ponto, talvez o mais difícil atualmente, é que não existe solução mágica. A saúde mental exige a participação ativa do indivíduo no tratamento. Medicamentos e terapias são importantes, mas mudanças de hábitos, atitudes e pensamentos são essenciais. É o conjunto dessas ações que promove a resolução dos problemas, permitindo seguir a vida de maneira satisfatória, com qualidade e, por que não, com felicidade e construção pessoal.

 



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