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Medicações, multimorbidades e o mais importante

Queridos leitores nesse artigo encerro os 5 Grandes Ms da Geriatria, conforme iniciamos há duas semanas.

3.Medicações: quando o excesso se torna um risco silencioso 

Com o envelhecimento, é comum o aumento do número de medicamentos utilizados.  Hipertensão, diabetes, dores crônicas, insônia, ansiedade... 

Cada condição costuma gerar uma nova prescrição. Surge então a chamada polifarmácia, um dos grandes desafios da geriatria moderna. O problema não está apenas na quantidade de

remédios, mas nas interações entre eles e na forma como o organismo idoso os metaboliza. Rins e fígado  funcionam de maneira diferente com a idade, aumentando o risco de efeitos colaterais.
Tonturas, confusão mental, sonolência excessiva, quedas e perda de apetite muitas vezes não
são “da idade”, mas muitas  vezes a consequência de medicamentos mal ajustados ou desnecessários.
Além disso, a automedicação  e o uso prolongado de remédios sem revisão aumentam significativamente os riscos.
Revisar periodicamente todas as medicações é um ato de cuidado. Perguntar se cada remédio
ainda é necessário,  se a dose é adequada e se existe alternativa mais segura faz parte de um
acompanhamento responsável.
Na geriatria, prescrever  bem inclui saber quando reduzir ou suspender. Menos pode ser
mais e mais seguro.
4. Multimorbidades: convivendo com várias doenças sem perder o cuidado integral
A maioria dos idosos  convive com mais de uma doença crônica. Hipertensão, diabetes, problemas  articulares, doenças cardíacas e osteoporose frequentemente coexistem.
Esse cenário recebe o nome de multimorbidade.
O grande desafio não é apenas tratar cada doença, mas evitar um cuidado fragmentado. Quando
cada problema é abordado isoladamente, o paciente se perde em consultas, exames e orientações que nem sempre conversam entre si.

O modelo geriátrico propõe uma visão integrada.

 Mais importante do que normalizar todos os exames é avaliar como a pessoa está vivendo: se

mantém autonomia, se consegue realizar suas atividades, se sente bem, se tem apoio familiar.
Tratar doenças sem olhar o conjunto pode gerar mais sofrimento do que benefício. O cuidado
precisa ser coordenado, individualizado e centrado na pessoa não apenas na lista de diagnósticos.

5. Mais importante

O que realmente importa para quem envelhece?

Entre todos os pilares da geriatria, talvez este seja o mais humano. O que realmente importa
para essa pessoa? Quais são seus valores, seus desejos, suas prioridades?
Nem todos os idosos querem o mesmo tipo de cuidado. Alguns priorizam longevidade a qualquer
custo. Outros preferem conforto, autonomia, menos intervenções e mais qualidade de vida.
Ouvir o paciente é essencial.
Decisões médicas devem ser compartilhadas, respeitando a história de vida, as crenças e os limites de cada indivíduo. A tecnologia avançou muito, mas nenhum exame substitui uma boa conversa.
Cuidar bem é alinhar tratamento, ciência e humanidade.
Envelhecer com dignidade é envelhecer sendo respeitado como pessoa, não apenas
como paciente.
Pessoal espero ter correspondido e contribuído com mais essas informações.
Os 5 Ms da Geriatria nos ensinam que envelhecer bem é resultado de equilíbrio: mente ativa,
corpo em movimento, uso consciente de medicamentos, cuidado integrado das doenças e respeito àquilo que realmente importa.
Mais do que viver mais, é possível e necessário viver melhor. Tenham todos uma boa semana.

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