Perimenopausa pode aumentar risco de obesidade e doenças cardiovasculares
Uma pesquisa
internacional recente, publicada na revista American Journal of Preventive Cardiology,
acende um alerta importante para a saúde feminina. A perimenopausa, fase de
transição que antecede a menopausa, pode representar um período de maior
vulnerabilidade ao ganho de peso, acúmulo de gordura abdominal e aumento do
risco cardiovascular.
De acordo com o
estudo, mesmo quando o ganho de peso total é pequeno, ocorrem mudanças
significativas na composição corporal. Há uma tendência maior ao acúmulo de
gordura visceral, aquela localizada na região abdominal e associada a problemas
metabólicos e cardiovasculares, ao mesmo tempo em que diminui a gordura
considerada mais protetora em regiões como quadris e coxas.
Para Alexandra
Ongaratto, médica especializada em ginecologia endócrina e climatério e
Diretora Técnica do Instituto GRIS, o primeiro Centro Clínico Ginecológico do
Brasil, a pesquisa reforça uma percepção cada vez mais presente na prática
clínica.
“Muitas
mulheres chegam ao consultório relatando mudanças corporais que parecem
desproporcionais aos hábitos de vida. Este estudo ajuda a mostrar que não se
trata apenas de estilo de vida, mas de um período de grande transformação
hormonal e metabólica que precisa ser compreendido com mais sensibilidade”,
afirma.
Cenário no Brasil
Embora a
pesquisa seja internacional, os dados dialogam diretamente com a realidade
brasileira. Segundo estimativas do IBGE, cerca de 30 milhões de mulheres no
Brasil estão na faixa etária do climatério e da menopausa, o que representa
aproximadamente 7,9% da população feminina.
Apesar disso,
apenas cerca de 238 mil mulheres receberam diagnóstico pelo Sistema Único de
Saúde (SUS). Já a revista científica Climacteric aponta que 82% das brasileiras
nessa fase apresentam sintomas que impactam a qualidade de vida, evidenciando a
necessidade de ampliar o acesso à informação e ao cuidado especializado. (Dados
divulgados pela Agência Senado).
Os
pesquisadores destacam que as alterações hormonais características dessa fase
influenciam o metabolismo, o apetite, a qualidade do sono e o nível de
atividade física, criando um cenário que favorece o ganho de peso e alterações
metabólicas.
Além disso, o
estudo apresenta um caso clínico que sugere que alguns medicamentos, mesmo
aqueles normalmente associados a ganhos de peso leves, podem ter efeitos mais
intensos quando utilizados durante a perimenopausa.
Segundo
Alexandra, esse é um ponto que merece atenção tanto de profissionais de saúde
quanto das próprias pacientes. “A perimenopausa é uma janela de maior
sensibilidade do organismo. Intervenções medicamentosas, mudanças emocionais e
alterações na rotina podem ter impactos metabólicos mais intensos do que em
outras fases da vida. Por isso, o cuidado precisa ser individualizado e atento
ao contexto da mulher”, explica.
A importância do acompanhamento precoce
Outro ponto importante
é que essas mudanças podem ocorrer independentemente do envelhecimento natural,
reforçando a necessidade de atenção específica à saúde cardiometabólica das
mulheres nessa fase da vida. Segundo os autores, a perimenopausa ainda é um
período sub-reconhecido como janela crítica de cuidado preventivo.
Para a médica,
a principal mensagem é a importância da informação e do acompanhamento precoce.
“Quando a mulher entende que essa fase envolve mudanças fisiológicas reais, ela
consegue buscar apoio com menos culpa e mais consciência. O acompanhamento adequado
permite antecipar riscos, ajustar hábitos e preservar a saúde cardiovascular e
metabólica ao longo dos anos”, destaca.
Diante desse
cenário, especialistas recomendam acompanhamento clínico regular, incentivo a
hábitos de vida saudáveis e avaliação cuidadosa do uso de medicamentos com
potencial impacto metabólico. Estratégias preventivas podem ajudar a reduzir o
risco de obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares a longo prazo.
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