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Audição, dignidade e prevenção: uma conquista histórica na saúde de Limeira

Queridos leitores, na prática médica e na vida pública, algumas conexões são impossíveis de ignorar. Nunca imaginei que conseguiria ajudar a melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas. Uma delas é a relação entre a perda auditiva e o desenvolvimento de demências, especialmente a doença de Alzheimer.

Durante muitos anos, a perda da audição foi tratada como algo “natural do envelhecimento”. Algo que se aceita, que se adapta. Mas hoje sabemos que não é tão simples assim e, principalmente, que não é inofensivo.

O idoso que não escuta bem começa, aos poucos, a se afastar. Evita conversas, deixa de participar de encontros familiares, se isola socialmente. E esse isolamento não é apenas emocional. Ele é cerebral. O cérebro precisa de estímulos constantes, e a comunicação é um dos mais importantes. Quando ela falha, o cérebro sofre.

Diversos estudos já colocam a perda auditiva como um dos principais fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento de demência. Ou seja: é algo que pode e deve ser tratado.

Foi com essa visão que, como vereador, tomei uma decisão que considero uma das mais importantes da minha trajetória pública.

Destinei uma emenda parlamentar de R$ 892 mil reais para a área da saúde auditiva em nossa cidade. Limeira enfrentava uma fila de aproximadamente 500 pessoas aguardando por aparelhos auditivos; a grande maioria idosos.

Enquanto isso, o Estado envia mensalmente cerca de 8 a 9 aparelhos, que acabam sendo direcionados, com prioridade justa, para crianças e jovens em fase escolar. Mas, na prática, isso deixava o idoso sempre em segundo plano.

O resultado dessa iniciativa foi histórico: estamos conseguindo zerar essa fila.

Mais do que números, isso significa devolver dignidade. Significa devolver voz a quem já estava se calando. Significa reinserir pessoas no convívio social, familiar e afetivo.

E, talvez mais importante ainda, significa atuar diretamente na prevenção do declínio cognitivo.

Quando devolvemos a audição, devolvemos estímulo cerebral. Devolvemos interação. Devolvemos vida.

Falar de Alzheimer não é falar apenas de medicamentos ou exames sofisticados. É falar de prevenção. É falar de atitudes concretas que impactam o dia a dia das pessoas.

E, muitas vezes, essas atitudes começam com algo aparentemente simples: ouvir melhor.

Porque, no fim das contas, combater o Alzheimer também passa por não permitir que nossos idosos vivam em silêncio. Tenham todos uma boa semana.

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