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Dia das mães: Sobrecarga ainda impacta decisões e limita o crescimento de negócios liderados por mães empreendedoras


 

A sobrecarga em diferentes áreas da vida das mulheres ainda é um dos principais obstáculos para o crescimento de negócios no Brasil, especialmente entre aquelas que conciliam a gestão da empresa com a maternidade. Neste Dia das Mães, o cenário evidencia fatores estruturais, culturais e comportamentais que impactam diretamente a tomada de decisão e o ritmo de expansão dessas empresas.

Levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) indica que cerca de 48% das mulheres empreendedoras no Brasil atuam sozinhas, sem sócios ou equipe fixa, o que evidencia um cenário de maior centralização das atividades. Esse acúmulo de funções impacta diretamente o tempo dedicado à estratégia e à expansão dos negócios, especialmente entre mães que conciliam empresa e rotina familiar.

Dados do IBGE reforçam esse cenário: mulheres dedicam, em média, quase o dobro do tempo dos homens às tarefas domésticas e ao cuidado de pessoas, o que evidencia a sobreposição de jornadas. Esse contexto ajuda a explicar por que o tempo disponível para a gestão estratégica dos negócios costuma ser mais limitado.

Com isso, a reflexão vai além da produtividade individual e passa pela construção de estruturas mais sustentáveis dentro das empresas, especialmente em um cenário em que muitas empreendedoras ainda operam de forma independente e centralizam funções. “Na nossa escola estamos sempre disponíveis para ajudar essas mulheres a equilibrar os pratinhos e serem felizes em seus negócios”, afirma Tatyane Luncah, fundadora da primeira escola brasileira de empreendedorismo feminino (EBEM).

Tatyane também destaca que esse cenário está diretamente ligado à chamada economia do cuidado. “Antes de ser empresária, a mulher, na maioria das vezes, é responsável pelo cuidado da casa, dos filhos, muitas vezes, também do parceiro e dos pais, sendo assim a  empresa acaba ficando por último”, explica. Esse acúmulo de responsabilidades impacta diretamente o ritmo de crescimento dos negócios. Segundo Tatyane, a divisão de tempo entre diferentes demandas, profissionais e pessoais, pode influenciar o desenvolvimento das empresas, especialmente quando há concentração de funções em uma única pessoa.

Na prática, o desafio vai além da gestão do tempo e envolve também a chamada carga mental. “O que vejo na rotina dessas mulheres não é falta de capacidade, mas excesso de responsabilidade concentrada na mesma pessoa. Muitas operam no limite porque acumulam o negócio e a gestão invisível da casa ao mesmo tempo”, explica a especialista.

Esse acúmulo faz com que muitas mães empreendedoras direcionam grande parte da energia para a operação, deixando a estratégia em segundo plano. Com isso, a rotina permanece centralizada, seja pela dificuldade em delegar, seja pela ausência de processos estruturados, o que limita o crescimento, mesmo em negócios que já apresentam demanda. “A mulher responde ao trabalho e à casa ao mesmo tempo, o que gera uma sensação constante de estar devendo em todos os papéis”, pontua Tatyane.

Além disso, a falta de redes de apoio estruturadas ainda é uma realidade para muitas mulheres. Dados do IBGE apontam que mulheres também são maioria entre os responsáveis pelo cuidado de familiares, o que torna a rotina mais vulnerável a imprevistos e aumenta a pressão sobre a gestão. Em contrapartida, iniciativas como organização de processos, divisão real de responsabilidades e fortalecimento da equipe contribuem para reduzir a dependência da fundadora e tornar o negócio mais sustentável.

No longo prazo, manter uma estrutura baseada na sobrecarga pode comprometer tanto o desempenho da empresa quanto o bem-estar da empreendedora. Negócios mais organizados, com menor centralização e rotinas bem definidas, tendem a crescer de forma mais consistente, um movimento que ganha ainda mais relevância em uma data como o Dia das Mães, que convida à reflexão sobre equilíbrio, estrutura e sustentabilidade na jornada profissional feminina.

 

Sobre a Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino (EBEM)
 A Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino (EBEM) é pioneira no Brasil na formação e desenvolvimento de mulheres empreendedoras. Fundada pela empresária Tatyane Luncah, a instituição atua como hub de educação e negócios, promovendo programas de capacitação, mentorias, eventos e iniciativas voltadas ao fortalecimento da liderança feminina no ambiente empresarial. Com uma comunidade ativa de empresárias de diferentes setores, a EBEM conecta conhecimento, networking e oportunidades de crescimento, contribuindo para a construção de um ecossistema mais diverso e inovador para o empreendedorismo feminino no país.

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