Eu nunca mais vou te esquecer
Queridos leitores, no sábado do dia 9 de maio, em Limeira, eu vivi uma daquelas cenas que nos fazem refletir sobre o verdadeiro papel da política. Por meio de uma emenda parlamentar da qual me orgulho de ser o autor, tivemos a alegria de receber o show de Moacyr Franco em homenagem ao Dia das Mães. E confesso: não foi apenas um espetáculo artístico. Foi um espetáculo humano.
Ao caminhar pelo Parque Cidade, onde o evento foi realizado, observei as expressões das pessoas, os olhares emocionados, os abraços e os sorrisos de muitos idosos. Percebi algo que muitas vezes passa despercebido pelos gestores públicos: o entretenimento também é saúde.
Existe uma ideia equivocada de que políticas públicas para idosos devem se limitar a remédios, consultas e exames ou assistência social. Claro que tudo isso é fundamental. Mas o ser humano não vive apenas de medicamentos. Vive também de afeto, convivência, memória, música, risos e pertencimento.
Vi senhoras cantando músicas que marcaram as suas juventudes. Vi casais de cabelos brancos dançando lentamente, talvez revivendo histórias de décadas atrás. Vi filhos levando suas mães em cadeiras de rodas para que elas pudessem participar daquele momento. E, acima de tudo, vi dignidade.
A solidão tem adoecido nossos idosos silenciosamente. Muitas vezes, o envelhecimento vem acompanhado do isolamento, da perda de amigos, da redução do convívio social e até do sentimento de invisibilidade. E é justamente aí que o poder público precisa agir com sensibilidade.
Eventos culturais, shows populares, bailes, atividades em parques, oficinas, teatro e música não devem ser tratados como luxo ou gasto supérfluo. São investimentos em saúde emocional, prevenção de depressão, estímulo cognitivo e qualidade de vida.
Hoje sabemos, inclusive pela ciência, que a interação social e os estímulos emocionais ajudam diretamente na saúde cerebral do idoso. Uma pessoa que se sente acolhida, ativa e participante da sociedade tende a envelhecer melhor.
Precisamos discutir, com seriedade, políticas públicas permanentes voltadas ao lazer e ao entretenimento da terceira idade. Não apenas em datas comemorativas, mas durante todo o ano. O idoso não pode ser lembrado apenas no calendário; ele precisa ser valorizado no cotidiano.
O show de Moacyr Franco terminou, as luzes se apagaram, mas ficou algo muito maior, que é a certeza de que pequenos gestos podem tocar profundamente a alma das pessoas.
E talvez seja exatamente isso que a boa política deva fazer: cuidar não apenas das doenças, mas cuidar do ser humano como um todo, proporcionando saúde, dignidade e esperança.
Talvez no próximo sábado os idosos que se divertiram no show do meu amigo Moacyr estejam de volta em seus sofás ou na solidão de suas poltronas. E é esse cenário que precisamos reverter. Se depender do dia 9 de maio, começamos do jeito certo.
Tenham todos uma boa semana.
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