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Neste Dia das Mães, empreendedoras redesenham carreira e maternidade entre desafios e autonomia

O protagonismo feminino nos negócios segue em expansão no Brasil. Atualmente, no país, cerca de 10,4 milhões de mulheres estão à frente de negócios próprios, segundo dados do Sebrae. Desse total, 53% são mães, o que implica conciliar a gestão da empresa com a criação dos filhos em uma rotina marcada por longas jornadas e desgaste constante. “A mulher responde ao trabalho e à casa ao mesmo tempo, o que gera uma sensação constante de estar devendo em todos os papéis”, pontua a fundadora e empresária Tatyane Luncah, da Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino (EBEM) da instituição atua como hub de educação e negócios

Apesar da sobrecarga, o empreendedorismo também pode trazer benefícios para a maternidade. A flexibilidade de horários, a possibilidade de estar mais presente na rotina dos filhos e a autonomia na tomada de decisões permitem uma adaptação mais alinhada às demandas familiares. Além disso, muitas mães encontram no próprio negócio uma forma de realização pessoal e independência financeira, transformando desafios em oportunidades e criando modelos de trabalho mais compatíveis com a dinâmica da vida familiar.

Pensando nisso, separamos cinco empreendedoras que mostram, na prática, como é possível construir negócios sólidos enquanto vivem a maternidade de forma mais presente e intencional. Confira, a seguir:


1.      Ana Piku, CEO da PikurruchA’S

Para Ana Lygia Faria, fundadora da PikurruchA’S e conhecida como Ana Piku, o empreendedorismo também se tornou um aliado na construção de uma maternidade mais consciente e possível dentro de uma rotina intensa. À frente de um negócio em expansão desde 2013, que hoje conta com cinco operações entre unidades físicas e fábrica, ela concilia a gestão da empresa com a criação dos três filhos, encontrando na autonomia uma forma de equilibrar as demandas profissionais e familiares. “Aprendi a confiar na equipe, delegar e entender que não é possível estar em todos os lugares ao mesmo tempo. A maternidade e a liderança exigem prioridades muito bem definidas”, afirma Ana.

Nesse processo, ela destaca como as experiências da maternidade e da liderança se atravessam e se fortalecem mutuamente. Além de atuar no desenvolvimento de produtos, na curadoria de um cardápio com mais de 120 itens e apresentar o programa “Doces Histórias”, na YPETV, a empresária vê na rotina um espaço constante de aprendizado e evolução. “As duas coisas se conectam o tempo todo. A maternidade ensina sobre presença e tempo, enquanto a liderança exige responsabilidade e resiliência”, completa a executiva.


2.      Isa Santini, CEO do Ateliê Beauty

Empresária de luxo e beleza à frente do Ateliê Beauty, Isa Santini é mãe de dois meninos, Raphael (15) e Bernardo (13), e concilia a rotina agitada de CEO do melhor SPA do mundo por duas vezes consecutivas. O empreendedorismo não é um obstáculo para a maternidade, mas, muitas vezes, um caminho para torná-la mais equilibrada e consciente. Ao exigir presença, coragem, resiliência e uma constante capacidade de se reinventar, ele também abre espaço para uma convivência mais sensível e responsável. “Ambos exigem presença, coragem, resiliência e uma capacidade enorme de se reinventar todos os dias”, afirma.

Além disso, ela destaca o papel transformador dessa jornada no desenvolvimento pessoal. Para a empresária, lidar com os altos e baixos do empreendedorismo contribui para ampliar a sensibilidade e a tomada de decisões, fatores que também se refletem na maternidade. “Nem sempre é fácil equilibrar todos os papéis, mas acredito que, quando colocamos amor, propósito e disciplina no que fazemos, conseguimos transformar os desafios em força”, conclui a dona do Ateliê Beauty.


3.      Natália Carneiro, gastroenterologista, doutora pela USP e fundadora da Doctor 360

Para a Dra. Natália Carneiro, mãe de dois, o empreendedorismo não é um obstáculo para a maternidade, mas, muitas vezes, um caminho para torná-la mais equilibrada e consciente. Ao permitir maior autonomia sobre a agenda e as decisões profissionais, ele abre espaço para uma convivência mais presente e intencional com os filhos. “O empreendedorismo permite que você tenha mais liberdade e não fique preso às convenções do sistema. Isso impacta diretamente na forma como você se relaciona com seus filhos”, explica.

Além da flexibilidade, ela destaca o papel transformador de empreender no desenvolvimento pessoal. Para a médica, estar à frente de um negócio significa viver com propósito, gerar impacto e evoluir constantemente, fatores que também se refletem na criação dos filhos. “Quando você lidera, influencia e transforma a vida de outras pessoas, você naturalmente se torna exemplo dentro de casa”, afirma.


4.      Fernanda Brandão, CEO da Agência Brands

Para Fernanda Brandão, CEO da Agência Brands, que abriu sua agência de comunicação há seis anos durante a pandemia e, três anos depois, nasceu sua filha Cecília, hoje com dois anos, o empreendedorismo pode ser solitário, mas a maternidade transformou essa dinâmica ao trazer uma nova forma de companhia e integração entre vida pessoal e profissional. Ao incluir a filha na rotina, entre reuniões e alinhamentos, ela passou a vivenciar a maternidade de forma mais presente no dia a dia de trabalho.

“Incluir ela na minha rotina fez com que tudo ganhasse um novo sentido. Hoje, não existe mais uma divisão tão rígida entre trabalho e vida pessoal. Se tenho um evento, ela está comigo, faz parte da minha agenda. A Cecília já entende minha rotina, sabe que tenho momentos de trabalho, e, ao mesmo tempo, está presente em tudo. A maternidade me mostrou que, mesmo em um caminho que muitas vezes é solitário, eu não estou sozinha. Isso me tornou mais forte e mais confiante”, afirma.


5.      Cris Lidório, fundadora e diretora criativa da Lustic

À frente da Lustic, marca de sapatos de luxo que valoriza design autoral e produção cuidadosa, Cris Lidório concilia a rotina intensa do empreendedorismo com a maternidade de dois filhos. Para ela, liderar um negócio próprio exige organização, presença e clareza de prioridades, habilidades que também são fundamentais na criação dos filhos. Nesse equilíbrio, a empresária encontrou uma forma de integrar carreira e vida pessoal de maneira mais fluida, adaptando sua agenda às demandas da família sem abrir mão do crescimento da marca. “Ser mãe e empreendedora é um exercício constante de escolhas e ajustes, mas também uma oportunidade de construir uma rotina mais alinhada com o que realmente importa”, destaca.


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