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A bengala não envelhece ninguém

Queridos leitores, quero dedicar esse artigo a duas grandes amigas: Maria Rita e Fúlvia.

 Confesso que passei por uma experiência que mudou completamente minha forma de enxergar a bengala. Após uma lesão no menisco do joelho esquerdo, precisei recorrer a uma bengala canadense para aliviar a sobrecarga na articulação. Como muitas pessoas, imaginei que seria apenas um acessório temporário, talvez até desconfortável do ponto de vista estético.

Mas aconteceu algo que me surpreendeu. A dor diminuiu cerca de 90%. Foi uma melhora tão expressiva que me fez refletir sobre o quanto ainda existe preconceito em relação ao uso da bengala. Muitos a enxergam como um símbolo de velhice, fragilidade ou incapacidade. Na realidade, ela representa exatamente o contrário: inteligência, prevenção e autonomia.

A bengala é um instrumento biomecânico extremamente eficiente. Quando utilizada corretamente, ela redistribui parte do peso corporal para o membro superior, reduzindo a carga sobre o joelho, o quadril ou o tornozelo. Em muitos casos, diminui a dor imediatamente, melhora o equilíbrio e aumenta a segurança ao caminhar.

Na geriatria aprendemos diariamente que prevenir é muito melhor do que remediar. Quantos idosos poderiam evitar quedas, fraturas e internações se deixassem o preconceito de lado e aceitassem usar uma bengala quando ela é indicada?

Aliás, esse conselho não vale apenas para os idosos. Pessoas jovens com lesões no menisco, artrose, entorses, pós-operatórios ou outras doenças ortopédicas também podem se beneficiar enormemente desse recurso. A bengala não trata apenas a dor; ela protege a articulação enquanto ocorre a recuperação.

Outro detalhe importante é que a bengala deve ser ajustada à altura correta e, na maioria das situações, utilizada na mão oposta ao lado lesionado. Esse detalhe faz toda a diferença na distribuição das forças durante a caminhada e potencializa seus benefícios.

Hoje posso afirmar, não apenas como médico, mas também como paciente, que a bengala me ensinou uma valiosa lição. A verdadeira limitação não está em usar uma bengala. A verdadeira limitação é deixar que o preconceito impeça alguém de viver com menos dor, mais equilíbrio e mais qualidade de vida.

Se um recurso simples pode devolver conforto, segurança e independência, ele merece ser visto como um aliado da saúde, nunca como motivo de vergonha.

Às vezes, um pequeno apoio é tudo o que precisamos para continuar caminhando com confiança. Tenham todos uma boa semana.

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