El Niño pode resultar em maiores cobranças de bandeira tarifária em 2026
A possibilidade
de El Niño no segundo semestre deste ano, com seu efeito no aumento das
temperaturas e redução das chuvas no Norte e Nordeste do País, reforça a
perspectiva de acionamento de bandeiras tarifárias mais caras ao longo do ano.
Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado),
desde o fim do ano passado especialistas de mercado apontam para a perspectiva
de mais meses de acionamento de bandeira vermelha em 2026, em relação a 2025,
tendo em vista que as chuvas típicas dos meses de outubro a março vieram, até o
momento, menos volumosas que a média histórica.
Atualmente está
vigente a bandeira tarifária verde para o mês de fevereiro, sem cobrança
adicional na conta de luz. O alívio é típico desta época do ano, quando as
chuvas propiciam o enchimento dos reservatórios e, em decorrência, a
metodologia da bandeira define que a cobrança adicional só é aplicada se o
risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês) estiver muito alterado e o preço de
referência para a energia de curto prazo (PLD) estiver extremamente elevado. O
quadro muda a partir de abril, quando encerra o período úmido e o acionamento
da bandeira pode ser determinado para patamares de déficit hidrológico e preço
mais factíveis de serem alcançados.
Especialistas
apontam que a partir de abril a bandeira já poderia passar à coloração amarela,
com custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts consumidos.
O especialista
de inteligência de mercado do Grupo Bolt, Matheus Machado, não descarta o acionamento
da bandeira amarela já em abril, cenário que, conforme destaca, ficará mais
claro na segunda metade de fevereiro, com a realização das chuvas esperadas
para os próximos dias e a atualização dos mapas para o próximo mês. "Mas
passando fevereiro, já começa a ficar muito difícil que mude muito o
viés", disse, referindo-se à perspectiva de armazenamento de água nas
hidrelétricas e citando a tendência de preço de referência para a energia
crescente no período seco.
Ele reforça a
perspectiva de maior frequência de bandeiras vermelhas em 2026 - a vermelha
Patamar 1 tem custo adicional de R$ 4,463 a cada 100 KWh consumidos, enquanto a
de Patamar 2, de R$ 7,877 a cada 100 KWh. "A dúvida é a quantidade de
meses de [bandeira tarifária] vermelha 2 e quando vai ser a primeira que pode
ser amarela", disse.
Sinal amarelo
A Ampere
Consultoria prevê atualmente que a bandeira tarifária se mantenha verde até
abril, uma visão melhor do que o projetado anteriormente em função da ligeira
melhora nas previsões de chuvas para os últimos meses do período úmido. Mas o
sócio consultor da empresa, Guilherme Ramalho de Oliveira, alerta que não dá
para descartar completamente a possibilidade da cobrança adicional, já que
cenários mais conservadores analisados pela consultoria ainda apontam a
bandeira amarela no quarto mês deste ano.
Já o diretor de
Comercialização da Armor Energia, Fred Menezes, prevê bandeira amarela em maio,
escalando para a bandeira vermelha a partir de junho. "E a perspectiva é
voltar a amarela somente em novembro ou dezembro", disse. Na avaliação
dele, a potencial configuração de um El Niño pode a dificultar o retorno à
bandeira verde nos últimos meses do ano.
O especialista
de Estudos de Mercado da Envol, Vinícius David, também considera maior a chance
de bandeira amarela a partir de maio, mas considera que a bandeira vermelha
apenas em julho, com possibilidade de vermelha 2 ao longo do período seco, até
setembro. A consultoria aponta perspectiva de bandeira amarela ou verde apenas
nos últimos dois meses do ano.
David lembra
que o El Niño não tem efeito direto previsível nas chuvas nas áreas de
influência dos reservatórios das principais hidrelétricas do País. "Porém
tem efeito secundário de temperaturas mais altas, que leva a carga mais alta, o
que pode pressionar os preços pra cima", disse.
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