Deputados votam redução da maioridade penal em comissão
Após dois
adiamentos, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade
penal no Brasil de 18 para 16 anos (PEC 32/15 e apensadas) deve ser votada na
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados na tarde desta
terça-feira (9). O texto está na pauta do colegiado, que se reúne a partir das
14h30.
O relator da
matéria, deputado Coronel Assis (PL-MT), concluiu a leitura do seu relatório,
que é favorável à mudança, em sessão ocorrida no dia 27 de maio, quando a
votação foi adiada por um pedido de vista coletivo. Na ocasião, ele tirou do
relatório a emenda que previa que jovens com 16 anos poderiam se casar,
celebrar contratos, tirar carteira de habilitação e votar obrigatoriamente. O
autor defende que 90% da população são a favor da redução da maioridade penal,
conforme pesquisa recente.
Atualmente, no
Brasil, jovens maiores de 16 anos que cometem infrações graves cumprem medidas
socioeducativas de internação por, no máximo, três anos. O tema vem dividindo
parlamentares na comissão. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), contrária à
redução, argumentou, durante a última sessão, que apenas 8% dos atos cometidos
por jovens são considerados graves e que esses jovens podem acabar sendo
aliciados pelo crime organizado se ingressarem no sistema prisional.
Dados do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que o país registra cerca de 12 mil
adolescentes em unidades de internação ou em privação de liberdade – menos de
1% dos 28 milhões de jovens nessa faixa etária, segundo dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Caso a PEC da
redução da maioridade penal avance na CCJ, uma comissão especial será criada
para seguir com a discussão do tema antes de ir a plenário.
Regulação da IA
Outro assunto
que pode movimentar a Câmara dos Deputados nesta semana é a expectativa em
torno da apresentação do relatório do projeto de lei da regulação de sistemas
de inteligência artificial (IA) no país. A matéria está sob relatoria do
deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que deve apresentar seu parecer nesta
terça-feira (9), segundo antecipou o próprio presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB), em conversa com jornalistas nos últimos dias.
De acordo com o
texto aprovado pelo Senado no ano passado, o projeto estabelece os princípios
fundamentais para o desenvolvimento e uso de IA. Ele define que a tecnologia
deve ser transparente, segura, confiável, ética, livre de vieses
discriminatórios, respeitando os direitos humanos e valores democráticos. O
projeto exige também que sejam contemplados o desenvolvimento tecnológico, a
inovação, a livre iniciativa e a livre concorrência.
Além de
enumerar os sistemas de IA considerados de alto risco, o projeto proíbe o
desenvolvimento de alguns tipos de tecnologias de IA que causem danos à saúde,
à segurança ou a outros direitos fundamentais.
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