Advogada especialista fala sobre o fim da escala 6x1
O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (14), em dois
turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala
6x1, com 75 votos favoráveis e um contrário. A proposta prevê dois dias de
descanso semanal remunerado e a redução gradual da jornada de trabalho, sem diminuição
salarial.
Pelo texto aprovado, a jornada máxima semanal será reduzida
de 44 para 42 horas após dois meses da publicação da emenda constitucional.
Depois de 14 meses, o limite passará a ser de 40 horas semanais.
Para esclarecer as mudanças, a Gazeta de Limeira
entrevistou a advogada especialista em Direito do Trabalho Maria Cecília
Miguel, que explica como a proposta poderá afetar a rotina dos trabalhadores e
a organização das empresas.
O que
muda na prática para o trabalhador?
Com a publicação da Emenda Constitucional decorrente da PEC
nº 221/2019, a jornada máxima semanal será reduzida progressivamente de 44 para
42 horas e, posteriormente, para 40 horas, sem redução salarial, explica Maria
Cecília.
Segundo a advogada, também serão garantidos dois dias de
repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
A especialista ressalta que a mudança não significa,
necessariamente, a adoção obrigatória da escala 5x2 em todos os casos. Os dias
de descanso não precisarão ser consecutivos, e a organização das jornadas
poderá considerar regimes diferenciados previstos em lei e acordos ou
convenções coletivas, desde que respeitados os limites constitucionais.
O trabalho além dos limites legais ou durante períodos de
descanso sem compensação válida poderá gerar o pagamento de horas extras,
conforme as circunstâncias de cada caso.
Quando
as novas regras começam a valer?
A aprovação pelo Senado não altera imediatamente os
contratos de trabalho. Segundo Maria Cecília Miguel, os prazos deverão ser
contados a partir da promulgação e da publicação da Emenda Constitucional.
O cronograma prevê a redução da jornada para 42 horas
semanais e a garantia de dois dias de descanso após dois meses da publicação.
Depois de 14 meses, o limite passará a ser de 40 horas semanais.
A advogada destaca que as empresas precisarão revisar
escalas, contratos, instrumentos coletivos e sistemas de controle de ponto e
folha de pagamento para se adequar às mudanças.
Quais
serão os impactos para empresas e trabalhadores?
A redução da jornada sem diminuição salarial poderá exigir
mudanças na organização das equipes, nas escalas e na contratação de
funcionários. Os impactos dependerão do setor de atividade e do funcionamento
de cada empresa, explica a especialista.
As empresas poderão reorganizar as jornadas e estabelecer
mecanismos de compensação por meio de acordos ou convenções coletivas, desde
que respeitem os limites legais e os períodos mínimos de descanso.
Para os trabalhadores, a mudança poderá representar mais
tempo livre e melhores condições para conciliar a vida profissional e pessoal,
acrescenta Maria Cecília.
O que
acontece com quem já trabalha na escala 6x1?
Os trabalhadores que cumprem atualmente a escala 6x1
deverão ser abrangidos pelas novas regras conforme os prazos de vigência da
emenda. No entanto, a mudança não representa a conversão automática de todas as
jornadas para o regime 5x2.
Um dos dias de descanso deverá ser concedido
preferencialmente aos domingos, mas as folgas não precisarão ser consecutivas.
Segundo a advogada, as empresas também deverão revisar bancos de horas e
acordos coletivos incompatíveis com as novas regras.
Em caso de descumprimento, o trabalhador poderá procurar os
órgãos de fiscalização ou ingressar com uma reclamação trabalhista. A rescisão
indireta do contrato também poderá ser solicitada em situações específicas,
dependendo da gravidade e da continuidade da irregularidade e da análise
judicial do caso.
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