Governo pretende realocar R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027
A equipe econômica pretende remanejar cerca de R$ 20
bilhões no Orçamento de 2027 para acomodar medidas de estímulo econômico
anunciadas recentemente, informou ontem, o Ministério do Planejamento e
Orçamento (MPO).
Em nota oficial, a pasta destacou que o valor representa
pouco mais de 1% das despesas primárias sujeitas ao limite de gastos. Segundo a
nota, a realocação será feita sem elevar o teto de despesas nem alterar a meta
de resultado primário.
A proposta de alteração do Projeto de Lei Orçamentária
Anual (PLOA) de 2027 será encaminhada ao Congresso Nacional assim que for
designado o relator do projeto.
Como
será o ajuste
De acordo com informações divulgadas pelo governo, parte
dos custos das medidas poderá ser absorvida por revisões nas estimativas de
despesas obrigatórias. Outros R$ 20 bilhões serão remanejados entre áreas da
administração federal para acomodar os gastos previstos.
O objetivo é incluir as iniciativas no orçamento sem
ultrapassar o limite de despesas estabelecido pelo arcabouço fiscal, que
restringe o aumento dos gastos a 2,5% acima da inflação no ano anterior.
O ministério não detalhou, na nota, quais despesas serão
reduzidas ou quais áreas terão recursos remanejados.
Meta
de superávit
Segundo o Planejamento, o resultado primário, que
corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento
dos juros da dívida, também deverá respeitar a meta prevista.
O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027
estabelece meta de superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), com
tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo.
O governo reafirmou que pretende retomar os superávits
primários para os anos seguintes. O indicador é considerado importante para a
trajetória da dívida pública, embora não represente, isoladamente, uma redução
automática do endividamento.
Na nota, a pasta declarou que o compromisso com o
equilíbrio fiscal deve caminhar junto à manutenção de políticas públicas e à
melhoria da qualidade do gasto. O ministério também afirmou que o saldo
primário melhorou cerca de dois pontos percentuais do PIB desde 2023.
A proposta de remanejamento ainda precisará ser encaminhada
ao Congresso, onde será discutida no processo de análise do Orçamento de 2027.
Medidas
e impactos
Entre as iniciativas citadas em levantamentos sobre os
gastos previstos para 2027 estão mudanças em programas sociais, ampliação de
benefícios educacionais, renegociação de dívidas e medidas de apoio a pequenos
empreendedores.
Estimativas apresentadas pelo jornal Valor Econômico
apontam que o conjunto de propostas pode ter impacto de R$ 53,6 bilhões em
2027, sendo R$ 45,7 bilhões em aumento de despesas e R$ 7,9 bilhões em redução
de receitas. Esse total, porém, reúne ações de naturezas diferentes, com fontes
de financiamento e prazos de execução distintos.
Crise
internacional
O Ministério do Planejamento argumentou que parte das
medidas responde a crises internacionais, à alta dos combustíveis e aos efeitos
de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
A pasta também defendeu ações voltadas à proteção social,
ao acesso à moradia, à educação, ao transporte público e ao apoio a pequenos
empreendedores. Segundo o órgão, essas iniciativas devem ser avaliadas conforme
seus objetivos e seus impactos fiscais específicos.
A nota afirma ainda que a execução de políticas públicas
não deve ser interpretada automaticamente como aumento de gastos motivado pelo
calendário eleitoral.
“A realização das eleições não suspende as
responsabilidades do Estado nem seu dever de proteger a população, garantir
direitos e promover o desenvolvimento do país”, declarou o ministério.
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