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Sobrevivente da Covid-19 publica livro com relato de internação em Limeira

A pandemia da Covid-19 deixou marcas profundas e revelou histórias de dor, resistência e superação. Uma dessas trajetórias agora ganha registro literário no livro de Evandro Luiz Gardezani dos Santos, morador de Cordeirópolis, que enfrentou um quadro grave da doença e passou por tratamento no Hospital Humanitária, em Limeira.

Em entrevista à Gazeta de Limeira, o autor relembra o início da pandemia, em 2020, quando restrições sanitárias alteraram hábitos e impuseram o distanciamento social. No entanto, foi após uma viagem, em fevereiro de 2021, que sua realidade mudou drasticamente. Diagnosticado com Covid-19, Evandro apresentou rápida piora clínica, o que exigiu internação e procedimentos invasivos, como intubação e, posteriormente, traqueostomia.

No livro, ele dedica atenção especial à explicação dessas intervenções, que à época despertavam medo e incerteza. Segundo o autor, a intubação foi um dos momentos mais críticos do tratamento, tanto pela complexidade quanto pelas reduzidas chances de recuperação. Ele também esclarece a importância da traqueostomia no suporte respiratório e na retirada gradual dos aparelhos.

A obra revela ainda aspectos pouco conhecidos da rotina hospitalar durante a pandemia. Evandro destaca a postura dos profissionais de saúde, que mantiveram um ambiente controlado e humanizado mesmo diante de situações extremas. Segundo seu relato, havia cuidado constante com o equilíbrio emocional dos pacientes, inclusive com estratégias para evitar a exposição a momentos delicados dentro da unidade.

Entre os episódios mais marcantes, o autor relembra a decisão médica sobre o momento da intubação. Inicialmente adiada, a medida tornou-se inevitável após a piora do quadro clínico. A lembrança do instante em que recebeu a notícia permanece vívida. Pouco depois, já sob sedação, iniciou o período mais crítico da internação. Durante esse processo, ele também recebeu terapias consideradas inovadoras, como o uso de surfactante pulmonar, recurso até então mais comum em recém-nascidos prematuros.

Após 45 dias internado, Evandro recebeu alta e iniciou a reabilitação. O reencontro com familiares e amigos ocorreu com forte emoção, ainda marcado por estranhamento e adaptação à rotina fora do ambiente hospitalar. A experiência resultou em mudanças significativas na forma de encarar a vida, com maior atenção à saúde e valorização das relações pessoais.

Após o lançamento do livro, Evandro fez questão de entregar exemplares às pessoas que cuidaram dele durante esse período, incluindo profissionais de saúde e pessoas próximas. Entre eles está a fisioterapeuta Luzia Teixeira Tomé, que atuou na linha de frente da pandemia e participou de seu tratamento. Em conversa com a Gazeta, Luzia afirmou estar lisonjeada com a homenagem. “Nós, profissionais da saúde, desde recepcionistas às equipes de apoio, vivemos meses e anos de dedicação extrema. Em muitos momentos, chegamos ao esgotamento físico e mental, mas nunca recuamos ou desistimos”, destacou.

Segundo a fisioterapeuta, acompanhar a recuperação de pacientes deu sentido ao trabalho desenvolvido. “Perdemos muitas pessoas, mas também presenciamos vitórias. Casos como o dele mostram que todo esforço valeu a pena”, completou.

Além da experiência como paciente, Evandro possui trajetória consolidada na música erudita e religiosa, paralela à formação em Direito. Com formação técnica em piano pelo Conservatório de Rio Claro, atuou como pianista, maestro e correpetidor, com apresentações em diversas cidades e participação na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Também exerceu atividades como professor e coordenador pedagógico por mais de 16 anos. Atualmente, integra projetos culturais e responde pelo Coral Italiano da Associação Trevisani nel Mondo.

Ao transformar a própria vivência em narrativa, Evandro constrói um registro que ultrapassa o relato pessoal e contribui para a memória de um dos períodos mais desafiadores da história recente. A obra evidencia não apenas os impactos da doença, mas também a dedicação dos profissionais de saúde e a capacidade de reconstrução diante da adversidade.


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