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Onde investir R$ 5,7 milhões? Especialista analisa o melhor destino

A Gazeta de Limeira buscou aprofundar um tema que desperta o interesse de milhões de brasileiros: o que fazer com uma grande quantia de dinheiro após um ganho inesperado ou até mesmo para aqueles que fazem boas economias. Em um país marcado por juros elevados e uma ampla oferta de produtos financeiros, decidir onde investir pode ser tão desafiador quanto conquistar o próprio prêmio. Diante desse cenário, a reportagem entrevistou a advogada Daniele Cardoso, especialista em investimentos, para analisar se aplicações tradicionais, como a poupança, ainda fazem sentido frente a alternativas mais rentáveis, como o Tesouro Selic, fundos imobiliários e ações, especialmente quando se trata de valores milionários, como os R$ 5,7 milhões pagos ao vencedor do reality show Big Brother Brasil.

 

. Considerando um prêmio de R$ 5,7 milhões como o do Big Brother Brasil, a poupança ainda é uma opção viável ou perde significativamente para alternativas como Tesouro Selic, fundos imobiliários e ações?

Ganhar um prêmio de R$ 5,7 milhões, como no Big Brother Brasil, muda completamente o jogo financeiro de qualquer pessoa. Mas o ponto mais importante não é ganhar, é saber o que fazer depois. E é aí que muita gente erra.

. Poupança ainda vale a pena ou fica para trás?
Vou ser direta: a poupança não acompanha o nível de sofisticação que um patrimônio desse tamanho exige. Ela é simples, segura e isenta de imposto de renda, sim, mas rende pouco. Na prática, costuma perder para alternativas como o Tesouro Selic e fica ainda mais distante quando comparada a outros investimentos dentro de uma estratégia de longo prazo.


A poupança rende uma fração da taxa básica de juros (Selic) + TR e acumulou aproximadamente 8,4% nos últimos 12 meses;
O Tesouro Selic acompanha essa taxa de forma muito mais eficiente, com cerca de 14,8% no mesmo período. Já fundos imobiliários e ações podem gerar ganhos maiores, mas também envolvem riscos e oscilações. Nos últimos meses, inclusive, tivemos recordes na Bolsa de Valores brasileira.


Para quem ganhou milhões, deixar o dinheiro na poupança pode significar obter cerca de 70% menos rendimento em comparação com aplicações atreladas à taxa básica de juros.


. Em um cenário de juros como o atual no Brasil, quais são as principais vantagens e desvantagens entre investir na poupança e no Tesouro Selic para quem busca segurança e liquidez?

Em um ambiente de juros elevados no Brasil, a comparação entre poupança e Tesouro Selic é essencial para investidores que priorizam segurança e liquidez.

Poupança
A poupança é o instrumento mais tradicional e acessível do país, amplamente utilizado por sua simplicidade operacional e isenção de imposto de renda.

Vantagens
Alta liquidez (resgate imediato, com crédito geralmente no mesmo dia)
Isenção de IR para pessoa física
Simplicidade e fácil acesso
Cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira

Tesouro Selic
O Tesouro Selic é um título público federal indexado à taxa básica de juros da economia, sendo considerado o ativo de menor risco de crédito no país.

Vantagens
Rentabilidade atrelada à Selic, acompanhando o nível de juros da economia
Garantia soberana (Tesouro Nacional)
Risco considerado o mais baixo do mercado doméstico
Alta liquidez (resgate em D+1 via Tesouro Direto)

Em cenários de juros elevados, o Tesouro Selic tende a ser mais eficiente em termos de retorno ajustado ao risco, mantendo elevado nível de segurança e liquidez.

Além disso, para investidores com patrimônio mais elevado, há um ponto crítico:
A poupança possui cobertura limitada pelo FGC (R$ 250 mil por instituição), enquanto o Tesouro Selic conta com garantia soberana, sendo estruturalmente mais seguro para valores elevados.


. Como equilibrar risco e retorno após receber um grande valor?

Para um investidor iniciante que acaba de receber uma quantia elevada, como um prêmio milionário, o primeiro passo não é escolher investimentos, é estruturar uma estratégia.

De forma geral, contar com o apoio de um profissional qualificado pode ajudar a evitar erros comuns, principalmente no início.

O foco inicial deve ser proteger o capital, superar a inflação e acumular juros reais ao longo do tempo. No cenário atual do Brasil, com a taxa Selic em níveis elevados (≈14,75% ao ano), a renda fixa se torna extremamente atrativa e passa a ser a base da estratégia, oferecendo previsibilidade e segurança por meio de instrumentos como Tesouro Selic, CDBs e LCIs/LCAs estas últimas com o benefício da isenção de imposto de renda.

Ainda assim, mesmo para investidores iniciantes, é saudável considerar uma pequena exposição à renda variável, já que ela traz potencial de retornos maiores no longo prazo e contribui para a diversificação da carteira. Essa exposição pode ser feita por meio de fundos imobiliários, que geram renda recorrente, e ações, voltadas à valorização de capital.

É importante que essa alocação comece com percentuais pequenos e controlados, aumentando gradualmente conforme o investidor ganha experiência e confiança.

Outro ponto relevante é a diversificação internacional, que permite exposição a ativos fora do Brasil, trazendo benefícios como proteção cambial, redução do risco de concentração no país e acesso a economias mais estáveis, por exemplo, por meio de investimentos dolarizados nos Estados Unidos.

Para um iniciante, o ideal é estruturar uma carteira que combine renda fixa no Brasil, renda variável local e uma parcela internacional. Em um cenário de juros elevados, a renda fixa oferece uma oportunidade rara de bons retornos com baixo risco, mas uma estratégia equilibrada deve ir além, mantendo uma base sólida em renda fixa, com exposição gradual à renda variável e diversificação internacional.

O objetivo não é apenas preservar o patrimônio, mas fazê-lo crescer de forma consistente acima da inflação, equilibrando segurança, retorno e diversificação ao longo do tempo.


. Pensando no longo prazo, qual dessas opções tende a proteger melhor o patrimônio contra a inflação: poupança, Tesouro Selic, fundos imobiliários ou ações?

Pensando no longo prazo, a melhor forma de proteger o patrimônio contra a inflação não está em escolher apenas um tipo de investimento, mas sim em construir uma estratégia diversificada e alinhada ao perfil, aos objetivos e ao planejamento do investidor.

A poupança, apesar de segura e simples, possui baixa capacidade de gerar ganho real e pode até perder para a inflação em determinados períodos. O Tesouro Selic, por sua vez, é uma excelente ferramenta de estabilidade e liquidez, protegendo o capital no curto e médio prazo, especialmente em cenários de juros elevados, mas não é o principal motor de crescimento real no longo prazo.

Já os fundos imobiliários oferecem uma combinação interessante de renda recorrente e alguma proteção inflacionária, enquanto as ações tendem a ser, historicamente, os ativos com maior potencial de gerar retorno acima da inflação ao longo do tempo, ainda que com maior volatilidade no curto prazo.

Nesse contexto, uma estratégia bem estruturada pode combinar renda fixa, renda variável e exposição internacional, incluindo ativos dolarizados, para reduzir riscos e ampliar oportunidades. Em alguns casos, também é possível incluir uma pequena parcela em ativos alternativos, como metais preciosos e até criptomoedas, sempre de forma controlada.

O objetivo central é claro: preservar o poder de compra do patrimônio e, ao mesmo tempo, buscar crescimento consistente acima da inflação, equilibrando segurança, retorno e diversificação ao longo dos anos.

 

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