Consumo desacelera após alta no primeiro semestre
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou 0,6% em agosto e chegou a 104,9 pontos, interrompendo a sequência de altas registrada nos seis meses de 2026. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apesar da queda, o indicador permanece acima dos 100 pontos, faixa considerada positiva, mas mostra maior cautela das famílias em relação ao emprego, à renda e às condições da economia.
Na comparação realizada pela Gazeta de Limeira com dados de agosto de 2025, o ICF ainda apresenta alta de 2,3%. O ritmo, porém, perdeu força. Em junho, o índice havia alcançado 105,5 pontos, o maior nível ajustado desde março de 2015. Entre junho e agosto, o indicador caiu 0,6 ponto.
O principal ponto de atenção está na Perspectiva Profissional, que caiu 1,9% em agosto e acumula retração de 9,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado mostra que as famílias estão menos confiantes sobre as condições futuras de emprego e renda. Com dúvidas sobre a estabilidade financeira, o consumidor tende a adiar compras de maior valor e priorizar despesas essenciais. O endividamento e a inadimplência também aumentam a necessidade de controle do orçamento.
O resultado de agosto contrasta com o desempenho do primeiro semestre. Em junho, o ICF chegou a 105,5 pontos, após uma sequência de altas. De acordo com a CNC, o mercado de trabalho aquecido, a baixa taxa de desocupação e o aumento real dos rendimentos ajudaram a sustentar a renda das famílias e o consumo. A redução dos preços de bens duráveis, como eletrodomésticos e automóveis, também favoreceu a intenção de compra.
Para o economista Celso Moura, especialista em Economia Doméstica, o resultado de agosto também pode ter relação com fatores sazonais. Segundo ele, muitas famílias concentram gastos durante o período de férias escolares e reduzem o ritmo de compras após o retorno às aulas. “A combinação entre menor confiança profissional, endividamento e preocupação com a renda pode levar os consumidores a adiar compras de maior valor e concentrar os gastos em itens essenciais”, informou Moura à Gazeta de Limeira.
O economista compara o movimento ao observado em janeiro, quando as famílias enfrentam uma concentração maior de despesas no início do ano. Para Moura, o início do processo eleitoral também pode elevar a percepção de incerteza. “A estabilidade econômica influencia diretamente a confiança das famílias e suas decisões de consumo”, explicou.
Apesar da perda de confiança em agosto, a expectativa não é de retração imediata do consumo. A CNC projeta crescimento de 2,1% nas vendas do comércio varejista restrito em 2026, indicando uma expansão moderada do setor. Para os próximos meses, porém, a tendência é de maior cautela nas decisões de compra, principalmente em produtos de maior valor.
A queda de 0,6% no ICF em agosto, somada à retração de 9,9% na Perspectiva Profissional em 12 meses, indica maior preocupação com emprego e renda. Mesmo acima dos 100 pontos e com alta de 2,3% na comparação anual, o indicador mostra perda de ritmo. A evolução do mercado de trabalho, da renda e do endividamento será determinante para o comportamento do consumo no segundo semestre.
A ICF é calculada mensalmente pela CNC e considera fatores como emprego, renda, acesso ao crédito e condições de consumo. A escala varia de 0 a 200 pontos: resultados acima de 100 indicam satisfação e confiança, enquanto índices abaixo desse patamar apontam insatisfação.
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