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Projeto acolhe imigrantes que querem aprender português em Eng. Coelho

Um grupo de moradores de Engenheiro Coelho se uniu para oferecer aulas gratuitas de língua portuguesa a imigrantes hispânicos que residem no município. A iniciativa, de caráter voluntário, tem como principal objetivo facilitar a integração social, ampliar as oportunidades no mercado de trabalho e promover maior autonomia para pessoas oriundas de países latino-americanos como Venezuela, Peru, Bolívia, Argentina e Equador.

O projeto é conduzido pelos moradores Aline Costa do Nascimento, Daniel Makawetska Silva e Mônica França Ferreira Makawetska. Sem qualquer custo para os participantes, os voluntários dedicam tempo e conhecimento ao ensino do idioma, considerado essencial para a vida cotidiana no Brasil. A ação atende principalmente imigrantes que vivem no bairro Universitários, região da Unasp, marcada pela presença de estudantes e moradores vindos de diferentes partes do país e do exterior.

Em entrevista à Gazeta de Limeira, a professora de língua portuguesa Mônica França Ferreira Makawetska explicou que a proposta surgiu a partir da percepção das dificuldades enfrentadas por imigrantes recém-chegados, especialmente venezuelanos. Segundo ela, muitos acreditavam que a semelhança entre o espanhol e o português permitiria uma comunicação suficiente, o que não se confirmou no contexto profissional. A professora também destacou que, embora a comunicação básica ocorra, a falta de domínio da língua portuguesa compromete o acesso a empregos formais e limita a integração social.

Ainda revelou à Gazeta que a necessidade de aprendizado mais aprofundado levou um grupo de imigrantes a buscar apoio na comunidade local, após uma tentativa inicial de organização que não avançou. A demanda chegou até a vereadora Bruna Campos, que compartilhou a situação em um grupo comunitário, onde os atuais voluntários se dispuseram a ajudar.

Sensibilizada com a causa, Mônica decidiu participar do projeto de forma espontânea. Professora por formação e mestranda em linguística, ela afirmou que enxergou na iniciativa uma oportunidade de colocar seus conhecimentos a serviço da inclusão social. Seu esposo, Daniel Makawetska, formado em teologia e com amplo domínio da língua portuguesa, também passou a colaborar nas aulas. Posteriormente, a professora Aline Costa do Nascimento se uniu ao grupo, fortalecendo a equipe pedagógica.

As aulas ocorrem aos domingos, em uma sala da Creche Pastor José Miranda localizada no bairro Universitários. O espaço é cedido pela Prefeitura de Engenheiro Coelho. No local, os voluntários trabalham conteúdos básicos da língua, com atenção especial à pronúncia e aos sons inexistentes no espanhol, considerados um dos maiores desafios para os alunos.

O projeto iniciou suas atividades com cerca de 25 participantes e a variação no número de inscritos reflete as mudanças na rotina dos imigrantes, muitos deles submetidos a jornadas extensas de trabalho ou a compromissos acadêmicos. Ainda assim, os professores relatam avanços significativos no desenvolvimento linguístico dos participantes. “O processo de ensino exige dedicação constante e adaptação metodológica. Para melhorar a comunicação em sala de aula, passei a estudar espanhol, com o intuito de aprimorar as estratégias pedagógicas e facilitar a compreensão dos conteúdos. Os resultados já são perceptíveis, embora o caminho ainda demande esforço e continuidade”, contou Mônica.

Além do aprendizado do idioma, a iniciativa promove fortalecimento da autoestima, ampliação da autonomia e maior segurança nas interações sociais. A ação voluntária tem se consolidado como um importante instrumento de acolhimento e inclusão, ao aproximar culturas distintas e reforçar o papel da educação como ferramenta de transformação social em Engenheiro Coelho.


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