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Alunos e famílias sentem reflexos do fechamento de salas na rede estadual em Limeira

A redução de turmas e o fechamento de salas de aula na rede estadual de ensino têm gerado preocupação em Limeira e acendido o alerta entre educadores, estudantes, famílias e autoridades públicas. A discussão envolve desde a transferência de etapas de ensino para a rede municipal até a diminuição da oferta de vagas no período noturno, situação que afeta principalmente jovens trabalhadores e alunos que precisam conciliar estudo e emprego. Diante do cenário, a Comissão de Educação e Ciências da Câmara Municipal prepara uma audiência pública para discutir os impactos das medidas adotadas pelo Governo do Estado.

Em entrevista à Gazeta de Limeira, o primeiro presidente da APEOESP, Fábio Moraes, afirmou que o fechamento de salas de aula é uma realidade que vem sendo enfrentada pelo sindicato em todo o Estado de São Paulo. Segundo ele, entre 2015 e 2025 foram fechadas aproximadamente 11 mil salas de aula no ensino fundamental, ensino médio regular e Educação de Jovens e Adultos (EJA), com maior incidência no período noturno.

Moraes explicou que o processo não está restrito a Capital, atingindo também cidades da Grande São Paulo e do Interior. De acordo com ele, a APEOESP mantém diálogo permanente com o Grupo Especial de Educação (GEDUC), do Ministério Público Estadual, e organiza, por meio de suas subsedes, levantamentos de estudantes interessados em vagas no período noturno. O objetivo é comprovar a demanda e reivindicar a reabertura ou criação de novas classes. “A Secretaria da Educação garantiu que as classes serão reabertas ou criadas desde que seja comprovada a demanda”, relatou.

O dirigente sindical também destacou que a entidade defende a redução gradual do número de estudantes por sala de aula. A reivindicação apresentada à Secretaria Estadual da Educação prevê um limite de 25 alunos por classe como regra geral. Além disso, o sindicato pede redução ainda maior em turmas que atendem estudantes autistas ou com outras deficiências, de acordo com as necessidades de cada grupo. Segundo Moraes, a medida contribuiria para melhorar as condições de aprendizagem e reduzir a sobrecarga enfrentada pelos professores.

Outro ponto levantado pela APEOESP é a necessidade de ampliar a busca ativa de estudantes e promover campanhas de divulgação das vagas existentes. Para o sindicato, também é fundamental reabrir classes de ensino médio e de Educação de Jovens e Adultos no período noturno em locais onde haja demanda comprovada.

Na avaliação de Moraes, os impactos do fechamento de classes e escolas no período noturno são especialmente graves. Ele afirma que muitos alunos trabalhadores são obrigados a alterar sua rotina ou buscar vagas em outras regiões da cidade. “O Governo do Estado nega o direito à educação aos jovens trabalhadores e àqueles jovens e adultos que não puderam estudar na idade certa”, argumentou. Segundo ele, há registros de fechamento de turmas de ensino médio noturno e de EJA em diversas regiões do Estado.

A preocupação com a redução de turmas também vem sendo discutida em Limeira. Durante reunião recente da Comissão de Educação da Câmara Municipal, o secretário municipal de Educação, Antônio Montesano, informou que a Escola Estadual Lázaro Duarte do Páteo deverá deixar de oferecer o Ensino Fundamental I a partir de 2027. Ele também apontou que a Escola Estadual Dorivaldo Damm, localizada no bairro Pinhal, já teve uma sala fechada, obrigando o município a absorver os estudantes que deixaram de ser atendidos pela rede estadual.

A situação tem mobilizado famílias de alunos. Mães de estudantes chegaram a participar das reuniões da comissão para manifestar preocupação com as mudanças e os impactos sobre a oferta de vagas. A questão do ensino noturno também foi apresentada por representantes do Centro de Aprendizagem Metódica e Prática de Limeira (CAMPL), que relatam dificuldades enfrentadas por jovens que conseguem vagas de estágio ou emprego e dependem da oferta de aulas à noite para continuar estudando.

A Comissão de Educação já havia se mobilizado sobre o tema no final do ano passado. Em dezembro de 2025, foram protocoladas duas moções de apelo direcionadas à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Os documentos solicitaram a manutenção das turmas de 1º ano da Escola Estadual Dorivaldo Damm e a abertura de salas de aula no período noturno na rede estadual de ensino. Na mesma época, a vereadora Mariana Calsa encaminhou cobranças ao Governo do Estado sobre o fechamento de salas em escolas estaduais de Limeira, tema que também foi levado à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) pela deputada Marina Helou.

Presidente da Comissão de Educação e Ciências da Câmara, a vereadora Mariana Calsa defende que a discussão seja realizada de forma ampla e com participação da comunidade escolar. Em entrevista à Gazeta de Limeira, ela destacou que o fechamento de salas afeta diretamente estudantes, famílias, professores e gestores da educação. “A educação precisa ser tratada com transparência e diálogo. O fechamento de salas de aula impacta diretamente estudantes, famílias, professores e toda a comunidade escolar. Esta audiência pública será uma oportunidade para ouvir os envolvidos, esclarecer informações e construir um debate responsável sobre os efeitos dessa medida para Limeira e para a rede estadual de ensino”, afirmou.

A expectativa é que a audiência pública reúna representantes do Governo do Estado, profissionais da educação, estudantes, pais e entidades ligadas ao setor para discutir os impactos da redução de turmas e buscar alternativas que garantam o acesso e a permanência dos alunos nas escolas estaduais do município.


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