Investimentos na primeira infância fortalecem o futuro das crianças em Limeira
Os seis primeiros anos de vida
são considerados decisivos para o desenvolvimento humano. É nesse período que o
cérebro estabelece conexões fundamentais para a aprendizagem, a linguagem, o
equilíbrio emocional e as habilidades sociais, tornando a primeira infância uma
das etapas mais estratégicas para a construção de uma sociedade mais saudável,
igualitária e preparada para o futuro. Cada investimento realizado nessa fase
reflete diretamente na formação das próximas gerações, motivo pelo qual
especialistas defendem que políticas públicas voltadas às crianças pequenas
devem estar entre as prioridades de qualquer gestão.
Além de ampliar o acesso à
educação infantil, o desafio dos municípios é oferecer uma rede integrada de
cuidados que envolva saúde, assistência social, cultura, lazer e proteção
integral. Em Limeira, esse compromisso ganhou novo impulso a partir de 2025, e esse
trabalho vem sendo fortalecido por meio de ações voltadas ao desenvolvimento
infantil, com iniciativas que buscam garantir às crianças um ambiente propício
para crescer, aprender e desenvolver todo o seu potencial.
Em alusão ao Mês da Primeira Infância, a Gazeta de Limeira entrevistou o secretário municipal de Educação, Antônio Montesano Neto. Com mais de quatro décadas de atuação na educação limeirense, ele fala sobre os avanços das políticas públicas voltadas às crianças de 0 a 6 anos, os desafios enfrentados pelo município e as perspectivas para ampliar o atendimento e fortalecer o desenvolvimento integral na primeira infância.
Quais
são as principais ações e programas desenvolvidos pela Prefeitura de Limeira
voltados à primeira infância e de que forma eles beneficiam as crianças de 0 a
6 anos e suas famílias?
Em
2025, retomamos a elaboração do Plano Municipal pela Primeira Infância (PMPI),
um processo que permanecia paralisado desde 2023. A partir dessa retomada, foi
constituída uma comissão formada por representantes de diferentes secretarias
municipais, com a responsabilidade de revisar o material existente, aprofundar
as discussões e construir, de maneira intersetorial, um documento capaz de
orientar as políticas públicas destinadas às crianças de 0 a 6 anos e às suas
famílias.
A
elaboração do Plano percorreu diferentes etapas. Inicialmente, a comissão
retomou os estudos e promoveu discussões entre as áreas envolvidas,
reconhecendo que a garantia dos direitos da primeira infância exige uma atuação
articulada entre Educação, Saúde, Assistência Social, Cultura, Esporte,
Segurança Pública, Turismo e outras políticas municipais.
Após essa etapa, o documento foi disponibilizado para consulta
pública, permitindo a participação da população, da sociedade civil, das
diferentes secretarias e das Unidades Escolares. Esse processo de escuta foi
fundamental para ampliar o debate, acolher contribuições e assegurar que o
Plano representasse as necessidades e as especificidades das crianças e das
famílias do município.
O
percurso culminou na realização da 1ª Conferência Municipal do Plano Municipal
pela Primeira Infância, que reuniu 57 delegados e conferiu visibilidade,
transparência e legitimidade a todo o processo de construção. A conferência
constituiu um importante espaço de participação social, no qual foram
analisados os desafios, as prioridades e as estratégias necessárias à garantia
dos direitos das crianças. Como resultado das contribuições apresentadas
durante a consulta pública e a conferência, o documento final passou a reunir
100 metas: 77 inicialmente propostas e outras 23 incorporadas ao longo desse
processo coletivo. As metas estão organizadas em 11 eixos: intersetorialidade,
espaço público, turismo e eventos, cultura, comunicação, esporte, segurança
pública, Educação Infantil, saúde, proteção social e cidadania e impactos do
desenvolvimento social.
Mais
do que concluir um documento, esse percurso permitiu recolocar a primeira
infância no centro do planejamento municipal. Na prática, o Plano orienta e
integra ações voltadas ao desenvolvimento integral, à proteção, à educação, à
saúde, à cultura, ao esporte, à convivência e ao direito das crianças de ocupar
os espaços públicos. Para as famílias, representa o fortalecimento de uma rede
de atendimento mais articulada, capaz de superar ações fragmentadas e oferecer
acompanhamento de forma integrada.
Além
do PMPI, a Prefeitura desenvolve iniciativas de formação, mobilização social e
valorização da infância, como o Mês da Primeira Infância. Este ano estamos em
sua 2ª Edição e a programação reúne experiências educativas, culturais e
formativas destinadas às crianças, às famílias e aos profissionais que integram
a rede de proteção. Essas ações reafirmam que cuidar da primeira infância é um
compromisso coletivo e uma prioridade para o desenvolvimento humano e social do
município.
Como
as secretarias municipais atuam de forma integrada nas áreas de saúde,
educação, assistência social e desenvolvimento para garantir o desenvolvimento
integral das crianças na primeira infância?
A atuação integrada das secretarias municipais foi um dos
princípios que orientaram a elaboração do Plano Municipal pela Primeira
Infância. Partimos da compreensão de que o desenvolvimento integral das
crianças de 0 a 6 anos não pode ser assegurado por uma única política pública.
Ele depende da articulação permanente entre Educação, Saúde, Assistência
Social, Desenvolvimento Social e as demais áreas que integram a rede municipal
de cuidado e proteção.
Essa integração permite que cada secretaria contribua a partir de
suas atribuições específicas, mas em diálogo com as demais. Enquanto a Educação
organiza ações voltadas ao desenvolvimento e à formação das crianças, a Saúde
atua na promoção, na prevenção e no acompanhamento integral; a Assistência
Social fortalece a proteção das famílias e o acesso aos direitos; e as
políticas de desenvolvimento social contribuem para o enfrentamento das
vulnerabilidades que podem afetar as condições de vida das crianças. Dessa
forma, busca-se superar ações isoladas e construir respostas mais articuladas
às necessidades das crianças e de suas famílias.
O próprio processo de elaboração do Plano fortaleceu essa
perspectiva, ao reunir diferentes secretarias, conselhos municipais,
representantes da sociedade civil, Unidades Escolares e a população na
definição das prioridades e das metas para a primeira infância. Assim, a
intersetorialidade deixa de ser apenas um princípio e passa a orientar o
planejamento, a execução e a avaliação das políticas públicas municipais.
Como continuidade desse trabalho, está sendo organizado o Comitê
Intersetorial para a Primeira Infância, composto por representantes das
diferentes secretarias envolvidas e dos conselhos municipais. O Comitê terá a
responsabilidade de acompanhar e monitorar a execução das ações e o cumprimento
das metas estabelecidas no Plano, identificar avanços e desafios e contribuir
para que os compromissos assumidos sejam incorporados, de forma articulada e
permanente, às políticas públicas e aos serviços oferecidos pelo município.
Mais do que reunir diferentes setores, essa organização busca
consolidar uma rede permanente de corresponsabilidade. Quando as áreas
compartilham informações, planejam conjuntamente e acompanham os resultados, o
município amplia sua capacidade de oferecer um atendimento integral, contínuo e
qualificado, reconhecendo cada criança em suas diferentes necessidades e
garantindo melhores condições para seu desenvolvimento, sua proteção e o
exercício de seus direitos.
Quais
são os principais desafios e as metas da Prefeitura para ampliar ou fortalecer
as políticas públicas voltadas à primeira infância nos próximos anos?
Um dos principais desafios para os próximos anos é transformar as
metas estabelecidas no Plano Municipal pela Primeira Infância em ações
permanentes, articuladas e efetivamente presentes na vida das crianças e de
suas famílias. Embora o documento tenha sido construído de forma intersetorial,
com a participação de diferentes secretarias, conselhos e representantes da
sociedade civil, o desafio agora é fazer com que essa integração também se
concretize na execução, no financiamento, no acompanhamento e na avaliação das
políticas públicas.
Isso exige consolidar uma mudança de compreensão: a criança da
primeira infância é munícipe e, como tal, é cidadã e titular de direitos. Ela
não pertence apenas à política de Educação, de Saúde ou de Assistência Social.
Tem direito à escola, à saúde, à alimentação, à moradia digna, à proteção, à
cultura, ao esporte, ao brincar, à segurança, à convivência familiar e
comunitária e à ocupação dos espaços públicos. Portanto, todas as áreas da
administração municipal precisam considerar as necessidades e as
especificidades das crianças de 0 a 6 anos em seus planejamentos e decisões.
Outro desafio é superar a fragmentação dos atendimentos. Para
isso, o Plano prevê a criação de uma estrutura permanente de governança
intersetorial, com a instituição do Comitê Municipal da Primeira Infância, a
realização de reuniões periódicas, a definição de protocolos conjuntos e a
integração dos dados das áreas de Saúde, Educação e Promoção Social. A intenção
é acompanhar a trajetória das crianças, especialmente daquelas que vivem em
situações de vulnerabilidade, e garantir que nenhuma delas fique sem
atendimento em razão da falta de comunicação entre os serviços.
Entre as metas prioritárias estão a ampliação do acesso às creches
e a universalização da pré-escola; o fortalecimento da Atenção Primária à
Saúde; a ampliação da cobertura vacinal e do acompanhamento pré-natal; a
redução do tempo de espera por atendimentos especializados; a prevenção da mortalidade
materna e infantil; e o atendimento integral às crianças com deficiência ou com
indícios de atraso no desenvolvimento. Também estão previstas ações voltadas à
prevenção e ao enfrentamento da violência, à busca ativa de famílias em
situação de vulnerabilidade, ao fortalecimento dos serviços socioassistenciais
e à ampliação do acompanhamento das crianças e de suas famílias. Somam-se a
essas iniciativas a adequação de escolas, praças, parques e espaços culturais,
a ampliação das atividades esportivas e culturais e a criação de ambientes
públicos mais acessíveis, seguros e acolhedores para a primeira infância.
Há, ainda, o desafio de assegurar recursos orçamentários,
responsabilidades bem definidas, indicadores confiáveis e transparência no
acompanhamento das metas. O Plano prevê que suas diretrizes sejam incorporadas
aos instrumentos de planejamento e orçamento do município, além da criação de
um painel público de indicadores e da realização periódica de fóruns para
prestação de contas à sociedade.
Mais do que alcançar metas quantitativas, o compromisso da
Prefeitura é consolidar uma política municipal que reconheça a criança em sua
integralidade e como sujeito de direitos. Fortalecer a primeira infância
significa incorporar suas necessidades e especificidades a todas as decisões
públicas, do planejamento dos espaços urbanos à oferta dos serviços de saúde,
das políticas habitacionais às ações culturais. Afinal, as crianças não são
apenas cidadãs do futuro: elas vivem a cidade no presente, são munícipes e
devem ter seus direitos garantidos em todos os territórios e nas diferentes
dimensões da vida.
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