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Limeira construiu sua história também pelas salas de aula

A história da educação pública de Limeira também está nos prédios que atravessaram gerações e acompanharam as transformações da cidade. Um dos principais capítulos começou com a criação do Grupo Escolar Coronel Flamínio Ferreira de Camargo, o primeiro grupo escolar do município. O edifício, que mais tarde passou a abrigar o Museu Major José Levy Sobrinho, permanece como um dos marcos históricos de Limeira.

 

O grupo escolar foi oficialmente criado em 14 de junho de 1901 e instalado em 1º de setembro daquele ano. Na época, Limeira ainda não tinha um prédio público próprio para a instituição. Para viabilizar o início das aulas, o coronel Flamínio Ferreira de Camargo cedeu uma casa de sua propriedade, no Centro. As adaptações necessárias foram custeadas pela Câmara Municipal.

 

A criação da escola ocorreu em um período de mudanças na organização do ensino paulista. Os grupos escolares representavam um novo modelo de educação pública, com a reunião de diferentes classes em um espaço próprio. Em Limeira, a instituição se tornou referência para a educação local e acompanhou as transformações sociais e econômicas das primeiras décadas do século 20.

 

Alguns anos depois, o grupo escolar ganhou sede própria. Entre 1906 e 1907, foi construído o edifício no antigo Largo do Rosário, atual Praça Coronel Flamínio. O projeto é atribuído ao arquiteto belga José Van Humbeeck e seguia o padrão monumental adotado pelo governo paulista para os primeiros grupos escolares. O prédio tinha dois pavimentos, dez salas de aula, porão, galpão para atividades recreativas e sanitários externos. A transferência definitiva dos alunos ocorreu em julho de 1907.

 

Mais de um século depois, a construção deixou de funcionar como escola, mas preservou sua ligação com a história de Limeira. O edifício passou a abrigar espaços culturais e hoje é sede do Museu Major José Levy Sobrinho. Pela importância histórica e arquitetônica, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) em 2002.

 

Escola Estadual Brasil mantém tradição

 

Com o passar das décadas, outras instituições passaram a integrar a história da educação limeirense. Entre elas está a Escola Estadual Brasil, inaugurada em 8 de maio de 1935, no Largo José Bonifácio, no Centro. A instituição é apontada como a escola em funcionamento mais antiga de Limeira. O prédio preserva características neocoloniais e representa a continuidade das escolas tradicionais no centro histórico do município. A instituição atravessou diferentes períodos da educação brasileira e permanece ativa, mantendo sua ligação com a história e a vida cotidiana da cidade.

 

A trajetória dessas instituições também ajuda a compreender as mudanças no ensino ao longo do século 20. Na década de 1970, alterações na legislação educacional modificaram a organização dos antigos grupos escolares. A Lei Federal nº 5.692, de 1971, reorganizou o ensino de primeiro e segundo graus e marcou uma nova etapa da educação brasileira.

A memória da educação em Limeira não está apenas nos documentos e registros escolares. Também está na arquitetura de prédios que resistiram às transformações urbanas e permanecem na paisagem da cidade.

 

O antigo Grupo Escolar Coronel Flamínio Ferreira de Camargo é um exemplo. Construído para atender a uma nova concepção de ensino público, o edifício deixou de receber alunos, mas ganhou outra função na preservação da memória local.

 

No âmbito municipal, outro imóvel histórico ligado à educação é o complexo do Edifício Prada. Construído em 1937 pelo industrial Agostinho Prada para abrigar a Companhia Prada de Chapéus, o conjunto passou a reunir diferentes atividades, entre elas a sede da Prefeitura e uma unidade da rede municipal de ensino, a EMEIEF Prada.

 

Ao completar 200 anos, Limeira também pode ser vista pela história de suas escolas: dos primeiros espaços destinados às aulas aos prédios planejados para a educação; das antigas salas dos grupos escolares às instituições que permanecem em atividade. São lugares que testemunharam gerações de estudantes e preservam parte da trajetória do município.

 


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