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Maé, uma vida inteira dedicada a formar jogadores e cidadãos

Uma história de dedicação e superação. Só a vida de Ismael Pereira, o popular "Maé", por si só já renderia um livro. Por isso, fizemos questão de incluí-lo na lista de homenagens desses 200 anos de Limeira.

Só na base da Associação Atlética Internacional foram 20 anos de serviços prestados.

Nascido em Pirassununga no dia 12/08/1945, Maé foi trazido por seus pais para Limeira aos 8 anos de idade. Sua mãe Emiliana Pereira era limeirense e seu pai Juvenal Pereira, natural da Bahia, veio trabalhar como administrador da Fazenda Botafogo.

E seus pais deram exemplo, pois cuidaram dos 10 filhos. Além de Maé, Benedito, Joaquim, Zezinho, Pedrinho, João, Ernestina, Paschoalina, Maria Luzia e Maria de Lourdes "enchiam a casa de alegria", mesmo com todas as dificuldades.

Maé não completou seus estudos, mas a vida lhe ensinou muitas coisas. Antes de virar professor de escolinha e técnico de futebol, jogou como volante no Santos da Vila Camargo, no Paulistinha, no Fluminense, na Refiunião e no Estudantes.

Em razão do bom futebol, Maé foi convidado a defender o juvenil da Internacional. Ao mesmo tempo trabalhava como balconista do antigo Restaurante Andi Bar.

Aos 18 anos e com um futuro promissor pela frente, Maé sofreu um grave acidente automobilístico. Após mais um dia de trabalho no restaurante, ele pediu carona para um motorista do Rio de Janeiro. "Pedi para que ele me levasse até a Avenida Campinas. Mal sabia que aquele dia marcaria para sempre a minha vida", frisou.

Maé lembra que o motorista deixou o cigarro cair no asoalho do caminhão e quando abaixou para pegá-lo, perdeu o controle da direção e acertou em cheio a um poste. Maé levou a pior e teve o braço direito esmagado. "Fiquei dois dias internado no hospital, até que os médicos decidiram amputá-lo, pois peguei também uma infecção. Achei que meu mundo tinha acabado naquele dia", lembrou.

Abalado e sem o braço, Maé teve que reconstruir sua vida. Primeiro, precisou abandonar a carreira de jogador de futebol. Depois, aprendeu a escrever com a mão esquerda, que não era a boa.

A família Cruañes o ajudou demais nesse período difícil da vida. "O Enoque, o Chico e o Alan me ajudaram financeiramente. Também compraram um braço mecânico para mim em 1968. Só tenho que agradecer essa querida família", destacou.

Outra pessoa fundamental em sua vida foi o farmacêutico Valdomiro Donizeth Batista, seu companheiro de trabalho no Paulistano e na Inter. "Ele batalhou durante quatro anos para que eu conseguisse uma prótese junto ao governo do estado. Em 2003 eu recebi essa prótese que me ajudou demais. Agradeço também ao Pedrinho Kuhl e ao Dr Alcir de Castro Mello pela ajuda".

Em 1970, Maé passou por outro drama. Em razão de uma infecção pulmonar, precisou ficar dez meses internado em uma clínica de Campos do Jordão. O ex-zagueiro Bidon foi quem o ajudou. "Pela segunda vez eu achei que morreria. Foi difícil, mas graças a Deus me recuperei".

Como Maé ainda tinha uma forte ligação com a Internacional, até por ter jogado no time juvenil, ele passou a assistir aos treinos, sempre com lágrimas nos olhos, afinal, não podia mais jogar.

Vendo a tristeza do ex-volante na arquibancada, o presidente Benedito Iaquinta o convidou para fazer parte da comissão técnica do time de baixo. "Aceitei na hora. Trabalhava com o técnico Paçoca e até escalava o time às vezes. Cuidava também dos uniformes. Foi uma forma de preencher o meu tempo", contou.

Maé conta que Biguá, jogador da época e ex-XV de Piracicaba, o incentivava diariamente a virar técnico de futebol. "Ele passava por mim e falava que eu tinha condição de comandar um time. Que eu tinha visão de jogo e que eu era esforçado. Me lembro como se fosse hoje. Devo muito a ele".

As oportunidades começaram a surgir e Maé estava sempre pronto. Não demorou muito para que as categorias de base da Veterana ficassem sob sua responsabilidade. Foram 20 anos na base alvinegra, revelando vários jogadores para o profissional, como Elano (ex-Santos e hoje no Grêmio), Giba (lateral campeão brasileiro pelo Corinthians em 1990), Lê (campeão em 1986 com a Inter e pelo São Paulo em 1987), Luiz Henrique, o Pinóquio (ex-goleiro do Criciúma), Mauricinho (atacante que jogou pelo São Paulo), Ronaldo (ex-zagueiro do Guarani, Cruzeiro e Seleção Brasileira), Marco Antônio (ex-lateral do Grêmio), Wilson Matías (ex-Inter/RS, Portuguesa, Ituano e futebol mexicano), entre outros.

Nesse período, participou de vários cursos para treinadores, com gente renomada do nosso país como Telê Santana, Carlos Alberto Parreira, Vanderlei Luxemburgo, Rubens Minelli, Nelsinho Baptista, entre outros.

Em 1999 como treinador da equipe fraldinha SEME/Paulistano conquistou a 1ª Copa Gazeta da categoria.

Maé deixou a Inter em 2001 e passou a apostar em outros projetos, como o futsal da Refiunião e as escolinhas da Seme, tendo participado inclusive de Jogos Regionais.

Se aposentou em 2009 na Prefeitura Municipal de Limeira e em 2013, no ano do centenário da Internacional, comandava o Projeto Esporte Clube Vitória, em Rio Claro, ensinando crianças de 13 a 17 anos, duas vezes por semana.

Por sua dedicação a Internacional ao longo desses 20 anos, Maé foi homenageado e recebeu no dia 5 de outubro de 2013, o Leão de Ouro, em festa realizada no Gran São João. A ideia foi do esportista Osmar Cetim. Foi um dos mais aplaudidos pelos presentes.

Segundo ele, o reconhecimento vale mais do que tudo. "Receber o Leão de Ouro foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. A Inter representou em minha vida um começo de tudo. Sempre acreditei na base e sou da opinião que um time vencedor sempre começa com uma base forte. Não existe sucesso sem uma base sólida", completou.

Maé é homenageado todos os anos no Paulistano, numa iniciativa que começou com o ex-volante e hoje cantor William, o Ruan da dupla sertaneja Lucas e Ruan e do ex-jogador Cantão.

Maé é um dos maiores nomes do esporte limeirense, equiparado por exemplo a José Carlos da Silva, o Fumaça. 

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