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Advogado alerta sobre golpes em visitas domiciliares do Cadúnico

A Prefeitura de Limeira, por meio da Secretaria de Promoção Social (Seprosom), iniciou nesta semana visitas domiciliares para atualização e conferência de informações do Cadastro Único (CadÚnico). A ação atende à determinação do Governo Federal, que tornou obrigatória a entrevista em domicílio para pessoas que moram sozinhas, conhecidas como famílias unipessoais, e que estão se cadastrando ou atualizando o CadÚnico. Também são alvo da iniciativa famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família que precisam passar por averiguação de dados.

A Seprosom informou que, a cada semana, uma região diferente da cidade será atendida, garantindo a organização do trabalho das equipes e ampliando o alcance da ação. A orientação aos moradores é que confirmem a identidade dos entrevistadores antes de permitir a entrada. As equipes sempre atuam em dupla, estão uniformizadas, portam crachá de identificação e realizam as visitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Com o objetivo de alertar sobre possíveis golpes durante essas visitas, a Gazeta de Limeira conversou com o advogado Anderson Rodrigo Esteves, especialista em Direito Previdenciário e do Consumidor, com 15 anos de atuação. Segundo ele, os golpes mais comuns envolvem falsa identidade, urgência e ameaça, coleta de dados sensíveis, indução a assinar papéis e tentativas de engajar familiares. Os criminosos se passam por agentes do INSS ou assistentes sociais, afirmam que é necessário atualizar informações imediatamente sob risco de bloqueio ou corte de benefícios, solicitam CPF, RG, número do benefício, senha do Gov.br, biometria, fotos, cartões e dados bancários, e podem tentar enganar familiares para dar credibilidade à ação.

Os riscos associados a esses golpes são variados e graves. Entre as perdas financeiras estão descontos indevidos no benefício por consignado ou cartão consignado contratado sem conhecimento, transferências via PIX ou pagamentos de taxas falsas, desvio de valores com troca de contas para recebimento ou indução para sacar e entregar dinheiro, e a contratação de serviços ou produtos não solicitados, como seguros, clubes e assinaturas. O comprometimento de dados pessoais e previdenciários inclui roubo de identidade, sequestro de conta no Gov.br e exposição de documentos importantes, como RG, CPF, comprovante de residência, cartões e extratos bancários.

Para se proteger, é fundamental verificar a identidade dos agentes. Anderson Esteves alerta que INSS e bancos, via de regra, não fazem visitas domiciliares solicitando senhas, biometria ou pagamentos. Moradores devem pedir identificação completa, anotar nome, matrícula ou empresa, telefone e motivo da visita, e nunca validar informações pelo telefone do visitante. É essencial confirmar qualquer alegação por canais oficiais, como o app ou site Meu INSS, o número 135, os canais oficiais do Gov.br ou o telefone constante no verso do cartão bancário. Qualquer solicitação de senha ou código é, por si só, um forte indício de golpe.

Durante a visita, recomenda-se não atender sozinho, ter um familiar ou vizinho presente, não entregar documentos e, no máximo, mostrá-los à distância, sem permitir fotos. O celular não deve ser usado pelos visitantes, para evitar instalação de aplicativos maliciosos ou captura de códigos. Caso haja pressão por urgência, a conversa deve ser encerrada, com a promessa de verificar a situação por meios oficiais. Nunca se deve fornecer senhas, códigos, números completos de cartão, CVV, fotos do rosto para prova de vida fora de canais oficiais, selfies com documentos ou assinar papéis sem leitura completa e sem receber uma via, jamais assinando em branco.

Em caso de suspeita ou fraude, as medidas imediatas incluem trocar senhas do Gov.br e do banco, revisar dispositivos conectados ou recuperação de contas, registrar reclamações em SACs com protocolo, solicitar cópia de contratos, bloqueio ou cancelamento de descontos e acompanhamento de consignações pelo Meu INSS. O boletim de ocorrência deve ser registrado o quanto antes, preservando provas como prints de conversas, comprovantes de PIX, fotos de crachás e placas de veículos, gravações, nomes e horários.

Segundo Anderson Esteves, os golpes realizados durante visitas combinam pressão psicológica com coleta de dados para gerar prejuízos rápidos, como transferências via PIX, e contínuos, como descontos indevidos no benefício. A prevenção depende de duas atitudes simples e eficazes: não fornecer dados ou senhas e confirmar qualquer informação apenas por canais oficiais, como 135, Meu INSS ou telefone do banco.

Em caso de dúvidas, os moradores podem entrar em contato com o CadÚnico Limeira pelo telefone (19) 3404-6264.


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