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Síndrome de Down: cuidado, estímulo e inclusão desde os primeiros anos

Celebrado em 21 de março, o Dia Mundial da Síndrome de Down é mais do que uma data no calendário: é um momento de conscientização, acolhimento e valorização das diferenças, que reforça a importância da inclusão e do olhar atento às potencialidades de cada indivíduo. A data convida a sociedade a refletir sobre respeito, oportunidades e, principalmente, sobre o papel do cuidado e do acompanhamento no desenvolvimento e na qualidade de vida dessas pessoas.

O Fato & Versão traz uma conversa sobre a importância da fisioterapia nesse processo, destacando como a intervenção precoce e o acompanhamento especializado podem fazer a diferença desde os primeiros anos de vida.

Para falar sobre o assunto, conversamos com a fisioterapeuta Bárbara Soares de Oliveira Furlan, especialista em reabilitação neurológica e desenvolvimento infantil. Ela é fundadora da Baby House – Espaço para Bebês, da Intensiva Clínica de Neuroreabilitação e da Alplaplay Clínica de Desenvolvimento Infantil, em São Paulo, onde lidera um trabalho pautado por propósito, sensibilidade e atuação multidisciplinar.

Com uma trajetória marcada pela união entre técnica e cuidado, Bárbara se destaca por conduzir seus pacientes em jornadas de superação, sempre respeitando limites e acreditando no potencial de evolução de cada indivíduo. Seu olhar humanizado garante tratamentos individualizados, acolhedores e direcionados às reais necessidades de cada criança.

Especialista no acompanhamento de crianças com atrasos no desenvolvimento, paralisia cerebral, síndrome de Down e transtorno do espectro autista, ela contribui não apenas para a evolução motora, mas também para a construção da autonomia e qualidade de vida. Além das clínicas, Bárbara também é criadora dos calçados ortopédicos Playpé e da Bamu Store.

 

A fisioterapia tem papel fundamental no desenvolvimento de pessoas com síndrome de Down?
Sim, a fisioterapia é fundamental no desenvolvimento de pessoas com síndrome de Down. Ela atua diretamente nas características motoras comuns da condição, como a hipotonia (baixo tônus muscular), frouxidão ligamentar e atraso no desenvolvimento motor. Com acompanhamento adequado, é possível estimular habilidades e promover maior independência funcional.

 

Quais são os principais ganhos desde os primeiros anos?
Quando iniciada precocemente, a fisioterapia pode proporcionar:
• Desenvolvimento motor mais eficiente (rolar, sentar, engatinhar, andar)
• Melhora do tônus muscular
• Ganho de equilíbrio e coordenação
• Estímulo à postura adequada
• Prevenção de alterações ortopédicas

Esses ganhos impactam diretamente na autonomia e na qualidade de vida da criança.

 

Existe uma idade ideal para iniciar a fisioterapia?
Sim — o ideal é iniciar o quanto antes, preferencialmente ainda nos primeiros meses de vida, especialmente quando há diagnóstico ou suspeita de atraso no desenvolvimento. A intervenção precoce aproveita a alta capacidade de adaptação do cérebro nessa fase.

 

A fisioterapia em pacientes com síndrome de Down vai além da parte motora?
Sim, vai além. Embora o foco principal seja o desenvolvimento motor, a fisioterapia em pessoas com síndrome de Down também pode impactar aspectos comportamentais e sociais. Ao promover maior autonomia, controle corporal e participação em atividades, a criança tende a se envolver mais com o ambiente, favorecendo a interação social e a autoconfiança.

 

Na reabilitação infantil, quais são hoje as abordagens mais eficazes?
Atualmente, as abordagens mais utilizadas incluem:
• Estimulação precoce
• Terapias lúdicas (baseadas no brincar)
• Integração sensorial
• Conceito neuroevolutivo (Bobath)
• Treino funcional voltado às atividades do dia a dia

O mais importante é que o tratamento seja individualizado, respeitando as necessidades específicas de cada criança.

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