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MP investiga técnico de vôlei por suposto desvio de recursos

O Ministério Público do Estado de São Paulo pediu a instauração de um inquérito civil para apurar um suposto esquema de desvio e apropriação de recursos públicos destinados a atletas de um projeto de vôlei desenvolvido em Limeira por meio do Instituto Crescer Juntos, que atende cerca de 500 alunos.

A investigação, conduzida pela 6ª Promotoria de Justiça de Limeira, na área de Patrimônio Público, apura denúncias envolvendo o técnico de vôlei Fábio Eduardo Cassiano, vinculado à rede municipal e ao Instituto Crescer Juntos. Segundo o procedimento, há indícios de que o treinador exigia que os atletas repassassem R$ 350 de uma ajuda de custo de R$ 500 recebida por cada beneficiário, valor pago com recursos públicos por meio do Chamamento Público nº 01/2026.

De acordo com o Ministério Público, os valores eram depositados pelos atletas via PIX diretamente na conta pessoal do treinador, utilizando como chave o CPF dele.

O procedimento também aponta indícios de que a direção do instituto teria conhecimento da conduta atribuída ao treinador, circunstância que motivou a ampliação da apuração para verificar eventual participação, anuência ou omissão em relação aos fatos.

O MP cita ainda informações prestadas pela Prefeitura de Limeira de que os recursos destinados à ajuda de custo dos atletas são provenientes de termo de parceria firmado com o município. Segundo a Promotoria, também foi informado que os valores repassados ao técnico seriam devolvidos por meio de despacho administrativo, circunstância que, na avaliação do órgão, pode indicar conhecimento prévio dos fatos pela Administração Municipal e justificar a apuração de eventual falha na fiscalização da parceria.

Além do pedido de instauração do inquérito civil, o Ministério Público solicitou o afastamento cautelar de Fábio Eduardo Cassiano das atividades de coordenação técnica, treinamento e demais funções exercidas no projeto. A Promotoria também recomendou ao prefeito de Limeira a suspensão do contrato com o Instituto Crescer Juntos e a interrupção de todos os repasses financeiros à entidade, concedendo prazo de 48 horas para que o município comprove o cumprimento da recomendação.

Em nota, a Prefeitura de Limeira informou que, assim que tomou conhecimento dos fatos, no mês de junho, instaurou uma sindicância administrativa para apurar a situação. A administração ressaltou que, embora ainda não tenha sido oficialmente notificada sobre o procedimento do Ministério Público, já determinou a suspensão do contrato com o Instituto Crescer Juntos e o bloqueio dos repasses financeiros à entidade. O município também afirmou que permanece à disposição para colaborar com o Ministério Público no esclarecimento do caso e destacou que qualquer desvio de recursos públicos, caso seja confirmado, será tratado com rigor.

Em entrevista exclusiva à Gazeta de Limeira, o técnico Fábio Eduardo Cassiano negou qualquer desvio de recursos públicos. Segundo ele, o projeto atende atualmente cerca de 580 crianças, embora o convênio preveja 500 vagas, e apenas 17 atletas recebiam ajuda de custo — sendo dez bolsas de R$ 500 e sete de R$ 400 — destinadas aos participantes das equipes de competição.

Fábio afirmou que, após a ampliação das atividades para quatro quadras esportivas, surgiram despesas que não estavam previstas no chamamento público, como a compra de equipamentos para treinamento, aluguel de quadra, custos com arbitragem de competições e auxílio para transporte de atletas.

De acordo com o treinador, cinco pais de atletas, de forma voluntária, concordaram em destinar parte da ajuda de custo para custear essas despesas. Ele afirmou que os valores foram utilizados exclusivamente na compra de materiais esportivos, equipamentos para as quadras e no pagamento de passes de ônibus para os alunos, sustentando possuir notas fiscais e comprovantes dos gastos.

O técnico também afirmou que a presidente do Instituto Crescer Juntos não teve qualquer participação nos fatos investigados. Segundo ele, a dirigente apenas realizava os repasses das ajudas de custo aos atletas, conforme a relação apresentada pela coordenação do projeto, e não participou da destinação dos recursos posteriormente doados pelos pais. Fábio disse que pretende comprovar essa versão durante a investigação.

O treinador declarou ainda que já está afastado do projeto, que fará sua defesa por meio de advogados e que pretende demonstrar sua inocência. Segundo ele, não houve má-fé nem apropriação de recursos públicos, mas uma forma de custear despesas que não estavam previstas no projeto e que beneficiaram os próprios atletas.

Fábio também fez um apelo para que o projeto esportivo não seja interrompido durante as investigações. De acordo com ele, uma eventual paralisação poderá prejudicar cerca de 600 crianças atendidas, além dos professores envolvidos. O técnico afirmou ainda que seu objetivo era ampliar o atendimento para mil alunos e destacou que o projeto atualmente atende um número de crianças superior ao previsto no convênio.

O pedido de instauração do inquérito civil será analisado e a investigação segue em andamento, sem conclusão sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.


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