Agosto Dourado mostra que amamentar também é aprender
Amamentar
é um processo que começa antes mesmo da primeira mamada. Para algumas mulheres,
o encontro entre mãe e bebê acontece de forma tranquila. Para outras, os
primeiros dias são marcados por dor, insegurança, dificuldade na pega,
fissuras, demora na descida do leite e até problemas como mastite. Em comum,
muitas mães encontram na informação e no apoio a força para continuar.
De
acordo com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o
leite materno deve ser o alimento exclusivo do bebê até os seis meses de idade.
Depois desse período, a amamentação deve continuar junto à introdução de
alimentos complementares adequados, até os dois anos ou mais.
Além
de fornecer nutrientes importantes para o crescimento e desenvolvimento, o
leite materno contribui para o fortalecimento do sistema imunológico e para a
proteção contra infecções respiratórias, diarreias e outras doenças. Para as
mães, a amamentação também auxilia na recuperação após o parto e está associada
à redução do risco de câncer de mama e de ovário.
Apesar
dos benefícios, a experiência nem sempre acontece de forma simples.
Dificuldades com a pega, fissuras, dor, demora na descida do leite, mastite e
insegurança são situações relatadas por muitas mulheres. Por isso, informação e
uma rede de apoio podem fazer diferença para que a mãe consiga atravessar os
primeiros desafios.
A
mãe Yasmin Barreto Góis conta que imaginava que a amamentação aconteceria de
maneira natural, mas enfrentou dificuldades logo nos primeiros dias. O leite só
desceu quando o filho completou quatro dias e, nesse período, ela utilizou a
técnica de relactação. “Sempre imaginei que a amamentação aconteceria de forma
natural e fácil, mas a realidade foi diferente. Meu leite só desceu quando meu
filho completou quatro dias de vida e, até lá, para conseguir alimentá-lo sem
abrir mão do estímulo à amamentação, utilizamos a técnica de relactação. Foi um
período desafiador, que exigiu paciência, persistência e muito apoio. Quando o
meu leite desceu, conseguimos iniciar a amamentação exclusiva no peito. Desde
então, cada mamada se tornou um momento único entre nós. É um encontro de
carinho, acolhimento e conexão. Sinto como se estivesse entregando OURO ao meu
filho, oferecendo o melhor que posso para o seu crescimento e desenvolvimento. Se
eu pudesse deixar uma mensagem para outras mães, seria: não desistam diante das
dificuldades. Busquem informação de qualidade e, se tiverem a oportunidade,
contem com o apoio de uma consultora de amamentação. Esse suporte faz toda a
diferença. Amamentar vai muito além de alimentar, é um gesto de amor, cuidado e
vínculo que marca a maternidade para sempre”, disse.
Gisele
Carvalho também enfrentou dificuldades no início da amamentação do filho Davi.
Segundo ela, o bebê tinha dificuldade para fazer a pega correta, enquanto os
seios ficaram machucados e chegaram a sangrar. A descida do leite demorou cinco
dias e ela ainda passou por um quadro de mastite.
“Minha
experiência com a amamentação não começou da forma como eu imaginava. No
início, foi muito difícil. O Davi tinha dificuldade para fazer a pega correta,
meus seios ficaram machucados, chegaram a sangrar, e eu sentia uma enorme
insegurança, com medo de não produzir leite suficiente. O leite demorou cinco
dias para descer de verdade; até então, ele recebia apenas o colostro. Também
enfrentei mastite, febre e o peito empedrado. Houve momentos em que achei que
não conseguiria continuar. Mas, quando tudo se estabeleceu, vivi uma das
experiências mais lindas da minha vida. Amamentar foi, sem dúvida, a melhor
sensação que já senti. Ver a mãozinha dele procurando a minha, o olhar fixo nos
meus olhos, como se estivesse me agradecendo por aquele momento… era algo que
não consigo descrever em palavras. Muitas vezes chorei enquanto o amamentava,
tomada por uma mistura de emoção, amor e gratidão a Deus por ter o privilégio
de viver aquilo. Amamentei meu filho até um ano e alguns meses, e hoje digo a
toda mãe que está passando pelas dificuldades do início, que sente medo ou
pensa em desistir: não desista. Sempre que for possível, persista mais um
pouco. As dificuldades passam, e o vínculo que nasce durante a amamentação é
algo único, profundo e inexplicável. É uma lembrança que você carregará no
coração pelo resto da vida. É um amor que se fortalece a cada mamada e que
jamais será esquecido”, afirma.
Para
Thais Dame, a experiência também começou com dificuldades. Ela teve uma fissura
durante o início da amamentação, mas conseguiu resolver o problema com laser e
seguiu com o aleitamento. “Minha amamentação foi incrível, foi sofrido no
começo, tive uma fissura, mas logo sanei com o laser e foi maravilhoso
amamentar. Eu indico sempre calma e paciência, o bebê ainda está aprendendo a
fazer a prega correta, para nós mamães também é tudo novo, então para os dois
lados são uma novidade. Não se frustre”, disse.
Quando
se fala em aleitamento materno, a responsabilidade não deve ser colocada
somente sobre a mulher. A rede de apoio tem papel importante para que ela
consiga descansar, se alimentar, receber orientação e ter tranquilidade para
amamentar.
Companheiros,
familiares, amigos e profissionais de saúde podem contribuir de diferentes
maneiras. Muitas vezes, ajudar não significa ensinar a mãe a amamentar, mas
oferecer condições para que ela consiga fazer isso. Cuidar da casa, preparar
uma refeição, segurar o bebê enquanto a mãe toma banho ou simplesmente ouvir
sem julgamentos também são formas de apoio.
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