Engenheiro de Limeira propõe que prefeituras assumam responsabilidade pelas calçadas
O engenheiro civil e morador de Limeira Marcelo Corghi apresentou uma
ideia legislativa no portal e-Cidadania, do Senado Federal, para que as
prefeituras passem a ser responsáveis pela construção, adaptação e manutenção
das calçadas. A proposta é tratar esses espaços como parte da infraestrutura
pública de mobilidade, assim como ocorre atualmente com as ruas.
A iniciativa surgiu de uma situação que Corghi observa há anos em
Limeira e em outras cidades da região: a falta de continuidade das calçadas.
Atualmente, cada proprietário é responsável pelo trecho em frente ao próprio
imóvel, o que, segundo o engenheiro, acaba gerando uma infraestrutura
fragmentada.
“Você vai caminhando e percebe que a calçada muda completamente a cada
lote. Muda o piso, a inclinação, a altura, aparece um degrau, depois uma rampa
de garagem, um buraco, um poste, uma lixeira”, afirma.
Para Corghi, o problema não está necessariamente na falta de cuidado dos
proprietários, mas no próprio modelo adotado. Enquanto a prefeitura constrói e
mantém as ruas, a infraestrutura destinada aos pedestres fica dividida entre
milhares de responsáveis.
“A calçada faz parte da infraestrutura de mobilidade da cidade, mas a
gente trata esse espaço de um jeito completamente diferente da rua. A
prefeitura constrói, mantém e recupera o asfalto, enquanto a calçada, que é
justamente a ‘rua do pedestre’, fica dividida entre milhares de proprietários”,
explica.
Acessibilidade
Na avaliação do engenheiro, a falta de continuidade prejudica
principalmente pessoas com mobilidade reduzida, como idosos, pessoas com
deficiência, usuários de cadeiras de rodas e pais ou mães com carrinhos de
bebê.
“Para quem está andando, não interessa onde termina um lote e começa o
outro. A pessoa só precisa conseguir seguir em frente com segurança”, diz.
A proposta não prevê que todas as calçadas tenham necessariamente a
mesma aparência. A ideia é que as prefeituras estabeleçam padrões técnicos de
largura, acessibilidade, inclinação, materiais, arborização e drenagem, além de
assumirem o planejamento e a manutenção de forma coordenada.
“A padronização que me interessa é muito mais de desempenho do que
estética. A calçada precisa ser contínua, segura, antiderrapante, acessível e
fácil de manter”, afirma.
Implantação gradual
Corghi defende que a mudança seja feita de forma gradual, priorizando
inicialmente locais de maior circulação, como escolas, hospitais, unidades de
saúde, pontos de transporte coletivo, áreas centrais e corredores comerciais.
Segundo ele, a prioridade deveria ser criar rotas completas para
pedestres, e não apenas recuperar pequenos trechos isolados.
“Não adianta fazer cem metros de uma calçada excelente e deixar a pessoa
presa logo depois. É muito mais interessante criar um caminho completo, por
exemplo, entre um ponto de ônibus e uma unidade de saúde, entre uma escola e um
bairro residencial ou entre uma praça e uma área comercial”, explica.
O engenheiro também cita a necessidade de priorizar locais onde sequer
existe espaço adequado para a circulação de pedestres. Em Limeira, ele menciona
alguns trechos do Anel Viário e do entorno da FCA/Unicamp.
Apoio no Senado
A ideia legislativa precisa receber 20 mil apoios no e-Cidadania até 11
de dezembro de 2026 para ser encaminhada como Sugestão Legislativa e passar por
análise no Senado.
Para Corghi, o principal objetivo neste momento é colocar o tema em
discussão.
“Nós nos acostumamos tanto com calçadas ruins que parece que isso é
inevitável. E não é. O modelo que usamos hoje é uma escolha”, afirma.
Ele ressalta que alcançar os 20 mil apoios não significa que a proposta
automaticamente se transformará em lei, mas permitirá que a questão seja
discutida no Legislativo.
“Meu objetivo maior é que a gente comece a enxergar a calçada como
aquilo que ela é: infraestrutura de mobilidade”, diz.
A proposta está disponível no portal e-Cidadania do Senado Federal e
pode receber apoios até 11 de dezembro de 2026.
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