Foto de capa da notícia

Costureira de Cordeirópolis restaura bonecas e doa a crianças

A costureira aposentada Marilene Santana dos Santos de 64 anos, hoje reside em Cordeirópolis, e dedica sua rotina a um trabalho voluntário que atravessa estados e histórias. Ela reforma bonecas quebradas e as entrega a crianças em situação de vulnerabilidade social, principalmente em comunidades rurais e assentamentos do município de Jaguaquara, no interior da Bahia, onde nasceu e mantém vínculos afetivos. A iniciativa resgata brinquedos que seriam descartados e os transforma em presentes, leva alegria a crianças que raramente recebem brinquedos novos. Ao longo da vida, mais de 300 bonecas passaram por suas mãos.

A relação de Marilene com a costura começou ainda na infância. Ela ganhou sua primeira boneca incompleta e, sem condições de comprar outra, passou a confeccionar roupinhas com retalhos e a consertar peças danificadas. A necessidade virou aprendizado e marcou sua trajetória. Décadas depois, essa experiência se transformou em missão contínua. “Eu decidi que nenhuma boneca precisa ir para o lixo”, afirmou em entrevista à Gazeta de Limeira.

A história de Marilene também é marcada pela superação. Há sete anos, ela venceu um câncer e, mesmo durante o tratamento, manteve o trabalho voluntário. Entre consultas e cuidados com a saúde, seguiu costurando e restaurando bonecas, como forma de seguir em frente e preservar o propósito que construiu ao longo da vida.

O processo de restauração é cuidadoso e completo. Marilene recolhe bonecas durante todo o ano e reconstrói braços e pernas, ajusta os cabelos, costura roupas novas, faz sapatinhos de crochê e cuida de cada detalhe. Cada boneca é preparada como presente, com laços, pequenos acessórios e embalagens simples, sempre pensadas com atenção e respeito.

Atualmente, as bonecas estão embaladas e guardadas em malas, prontas para percorrer 1.641 quilômetros entre Cordeirópolis e Jaguaquara. No destino final, todas as bonecas confeccionadas ao longo do ano serão entregues às crianças. “Quando arrumo as malas, penso em cada criança que vai receber. É como se eu estivesse indo junto. Neste domingo mesmo estou de partida para a Bahia, são 22 horas de viagem, mas nada é mais prazeroso do que o sorriso que me espera quando chego com as malas cheias, essas mesmas que passei o ano todo preparando”, contou à Gazeta.

Quem quiser ajudar pode colaborar com doações de bonecas usadas ou materiais de costura. As doações podem ser entregues diretamente no trailer de Marilene, localizado na entrada do pátio da estação ferroviária de Cordeirópolis. O trabalho segue sem prazos ou metas fixas, guiado pela memória da infância, pela superação e pelo compromisso de levar dignidade e alegria a quem mais precisa.

Comentários

Compartilhe esta notícia

Faça login para participar dos comentários

Fazer Login