Registros de autismo em idosos são ausentes em Cordeirópolis e Iracemápolis e tem baixa identificação em Limeira
A maior parte das pesquisas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) concentra-se na infância, o que deixa lacunas sobre adultos e, principalmente os idosos. Estudos recentes da Universidade de São Paulo (USP), incluindo o CAIS (Centro para o Autismo e Inclusão Social) do Instituto de Psicologia indicam que essa população enfrenta maior risco de desenvolver condições como depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, esquizofrenia, diabetes e doenças cardíacas. Adultos autistas têm cerca de 2,5 vezes mais chances de morrer precocemente em comparação com pessoas neurotípicas.
Entre as causas estão a dificuldade de acesso a consultas médicas, o uso prolongado de medicamentos sem acompanhamento adequado, a falta de serviços especializados e o impacto do estigma social. Muitos idosos passaram décadas sem diagnóstico, o que agravou quadros de isolamento e sofrimento psíquico.
Retrato regional
Um levantamento realizado pela Gazeta mostra o cenário em cidades da região de Limeira. No município, há 22.305 pessoas com TEA, mas apenas 26 têm mais de 60 anos com diagnóstico confirmado. Em Cordeirópolis, há 166 crianças com TEA, existem três adultos diagnosticados e nenhum idoso identificado. Em Iracemápolis, há 85 crianças com autismo, sem registros de adultos ou idosos na rede pública. Os dados indicam forte subdiagnóstico na população idosa.
No Brasil, menos de 1% das pessoas com mais de 60 anos têm diagnóstico de TEA, o que representa cerca de 306 mil indivíduos, segundo levantamento com base no Censo de 2022. A prevalência é ligeiramente maior entre homens (0,94%) do que entre mulheres (0,81%). No mundo, cerca de 70 milhões de pessoas vivem com o transtorno.
Em entrevista recente à Gazeta, o professor doutor Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil, afirma que os sinais do autismo persistem ao longo da vida, mas costumam passar despercebidos. Segundo ele, muitos adultos desenvolvem estratégias para ocultar dificuldades sociais e comportamentais, o que adia o diagnóstico. Para ele, o reconhecimento costuma ocorrer quando essas estratégias deixam de funcionar, especialmente após mudanças como aposentadoria ou perdas pessoais. Nesses casos, sintomas de depressão, ansiedade e isolamento podem indicar um autismo não identificado.
O diagnóstico tardio também tem origem histórica. O autismo foi descrito em 1943 e, por décadas, associado a quadros infantis graves. A ampliação do conceito de espectro ocorreu apenas recentemente. Segundo o especialista, muitos idosos cresceram sem acesso ao diagnóstico, e ainda há falta de preparo entre profissionais de saúde para identificar o transtorno em adultos.
Limeira por exemplo, tem apresentado avanços significativos no suporte a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), focado na ampliação do atendimento especializado, em legislações inclusivas como a Lei Ordinária nº 7.146/2025, considerada um marco, que instituiu as Diretrizes Municipais de Educação Especial para pessoas com TEA. Ela garante um sistema inclusivo com planos de estudo individualizados e formação contínua para professores. Porém os dados recentes, reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas a adultos e idosos com TEA, além de qualificar o atendimento na rede de saúde. Sem isso, parte significativa dessa população permanece sem diagnóstico e sem o suporte adequado.
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