Limeira tem 228 pacientes em hemodiálise e 58 aguardam transplante renal
Neste Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março, a Gazeta apresenta dados sobre o tratamento de doenças renais em Limeira e o número de pacientes que dependem de acompanhamento contínuo. Atualmente, 228 pessoas realizam hemodiálise na Santa Casa de Limeira, segundo dados da instituição. Desse total, 162 pacientes são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 66 por convênios. O procedimento é indicado quando os rins deixam de filtrar adequadamente o sangue, sendo essencial para a sobrevivência de pacientes com insuficiência renal crônica.
Na maioria dos casos, as sessões ocorrem três vezes por semana, exigindo disciplina e acompanhamento frequente. Para muitos pacientes, a hemodiálise permanece como tratamento definitivo enquanto aguardam um transplante renal.
A Santa Casa iniciou o cuidado dialítico em janeiro de 1990, de forma pioneira na cidade. Até então, pacientes precisavam se deslocar para centros como Campinas e São Paulo. Desde então, a instituição busca ampliar a capacidade de atendimento, com melhorias na infraestrutura, atualização de máquinas, aprimoramento do sistema de tratamento de água e qualificação de profissionais de saúde.
Em Limeira, 58 moradores aguardam na fila por um transplante de rim. O procedimento oferece maior qualidade de vida a pacientes com doença renal avançada, mas a disponibilidade de órgãos ainda é limitada. Em 2025, oito moradores de Limeira receberam um novo rim, enquanto em 2026, até o momento, apenas um transplante foi registrado. Pelo SUS, os transplantes são realizados em centros especializados, como o Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas, e o Hospital do Rim, referência nacional na área.
O cenário local reflete uma realidade mais ampla no Estado de São Paulo. Apenas no primeiro trimestre de 2025, foram realizados 406 transplantes de rim, número 16% maior em comparação com o mesmo período de 2024, segundo a Secretaria de Saúde.
Apesar do crescimento, a demanda segue elevada. Em meados de 2025, cerca de 21 mil pessoas aguardavam por um rim no estado. A fila é organizada pelo Sistema Estadual de Transplantes, que define prioridades com base na compatibilidade entre doador e receptor, gravidade do quadro clínico e tempo de espera. Dependendo das condições, o tempo pode chegar a quatro anos.
No Brasil, o rim lidera tanto em número de transplantes quanto de pacientes na fila. Dados do Ministério da Saúde apontam que 46.722 pessoas aguardam por um transplante renal, dentro de um total de aproximadamente 78 mil pacientes à espera de diferentes órgãos, como córneas, coração e fígado.
Para especialistas, o principal desafio no combate às doenças renais é o diagnóstico precoce. O hematologista Felipe Magalhães Furtado explica que muitos pacientes procuram atendimento apenas em estágio avançado, muitas vezes pela falta de acompanhamento médico regular. Segundo ele, pessoas com diabetes e hipertensão estão entre os principais grupos de risco, além de pacientes que utilizam anti-inflamatórios por longos períodos e homens com problemas de próstata que dificultam o fluxo urinário.
O médico recomenda exames periódicos para avaliar a função renal, como ureia, creatinina e exame de urina (EAS). Outro exame importante é o de cistatina C, capaz de detectar alterações precoces nos rins. Entre os sinais de alerta estão inchaço nas pernas, redução do volume urinário e urina escura ou espumosa. Como prevenção, o especialista orienta ingerir pelo menos dois litros de água por dia e manter exames regulares, especialmente para pessoas com doenças crônicas ou que utilizam medicamentos de forma contínua.
A Santa Casa de Limeira segue como referência no atendimento de hemodiálise e no suporte aos pacientes que aguardam transplante, garantindo tratamento e qualidade de vida a centenas de moradores.
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