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Obesidade atinge mais de 39 mil pessoas em Limeira

A obesidade cresce no Brasil e já é considerada um dos principais desafios da saúde pública. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que 25,7% da população adulta brasileira apresenta obesidade em 2024/2025. O índice confirma a consolidação da doença como problema estrutural, associado a mudanças no padrão alimentar, sedentarismo e desigualdades sociais.

Diante desse cenário, a Gazeta de Limeira realizou levantamento junto às Secretarias Municipais de Saúde para traçar um panorama regional com base em dados oficiais da Classificação Internacional de Doenças (CID).

Em Limeira, os números apontam avanço entre 2024 e 2025. O total de pessoas diagnosticadas passou de 36.457 para 39.337 — aumento de 2.880 casos em um ano. O crescimento ocorreu na maioria das faixas etárias. Entre crianças de 0 a 9 anos, os registros subiram de 123 para 146. Na faixa de 10 a 19 anos, houve leve redução, de 1.169 para 1.101. Entre 20 e 29 anos, os diagnósticos passaram de 4.925 para 5.285. De 30 a 39 anos, de 5.089 para 5.726. Na faixa de 40 a 49 anos, de 6.290 para 6.826. Entre 50 e 59 anos, de 8.235 para 8.951. Acima de 60 anos, de 10.626 para 11.302, concentrando o maior volume de diagnósticos no município.

A Secretaria de Saúde de Limeira informa que o índice corresponde a 13% da população. O percentual é inferior ao registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, quando 26,8% dos brasileiros com 20 anos ou mais foram classificados como obesos. Ainda assim, a alta anual acompanha a tendência nacional de crescimento das doenças crônicas.

Em Cordeirópolis, os dados também indicam elevação. Entre mulheres, eram 1.471 casos em 2024 (43,66% das avaliadas). Em 2025, o número chegou a 1.693 (44,45%). Entre homens, 865 estavam classificados nos graus 1, 2 e 3 em 2024. No ano seguinte, o total subiu para 1.101. O aumento entre o público masculino chama atenção, embora a proporção feminina permaneça maior.

Em Iracemápolis, os dados foram apresentados em percentual. As mulheres representam 24,8% dos casos, com maior concentração entre 50 e 59 anos. Entre homens, 23,7% estão classificados como obesos, também com predominância nessa faixa etária. No total, 20,9% da população apresenta obesidade.

A Gazeta entrou em contato com a Prefeitura de Engenheiro Coelho para obter dados atualizados, mas, até o fechamento desta edição, as informações não haviam sido repassadas.

O sobrepeso é definido por Índice de Massa Corporal (IMC) entre 25 e 29,9 kg/m². A obesidade é caracterizada por IMC igual ou superior a 30 kg/m². Especialistas destacam que se trata de doença multifatorial, que envolve fatores genéticos, metabólicos, comportamentais, ambientais e socioeconômicos. Pessoas com obesidade frequentemente enfrentam estigma e preconceito, associadas a ideias equivocadas de desleixo ou preguiça. Profissionais alertam que essa visão distorcida afasta pacientes do acompanhamento médico e dificulta o tratamento.

Em entrevista recente à Gazeta de Limeira, o médico e escritor Drauzio Varella afirmou que o enfrentamento das doenças crônicas exige mudança estrutural no sistema de saúde. Segundo ele, o desafio atual difere daquele das doenças agudas do passado. “Antes, tratava-se uma pneumonia, uma infecção, e o paciente estava curado. Hoje, quem tem hipertensão ou diabetes precisa de acompanhamento por toda a vida. E não estamos preparados para isso”, disse. Para o médico, investir em prevenção é a alternativa mais eficiente e viável. “A única saída é evitar que as pessoas adoeçam. Se continuarmos apenas na reação, o sistema não vai suportar”, completou.

A Secretaria de Saúde de Limeira informa que as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) desenvolvem ações preventivas, como grupos de caminhada, palestras e orientações. Um exemplo é a UBS do Aeroporto, que mantém o grupo “Pense Magro”, conduzido por equipe multidisciplinar com foco em reeducação alimentar e mudança de hábitos.

O avanço da obesidade na região, em linha com o cenário nacional, reforça a necessidade de políticas públicas permanentes, com ênfase em prevenção, educação alimentar e acompanhamento contínuo da população diante de uma doença crônica que exige atenção de longo prazo.

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