Cigarro eletrônico preocupa especialistas e pode aumentar riscos à saúde bucal
O aumento do uso de cigarros
eletrônicos, principalmente entre adolescentes e jovens, tem acendido um alerta
entre especialistas da área da saúde. Apesar da aparência moderna e da falsa
ideia de serem menos prejudiciais do que os cigarros convencionais, esses
dispositivos contêm substâncias tóxicas capazes de causar sérios danos ao
organismo, inclusive favorecer o desenvolvimento do câncer de boca.
Segundo Dr. Erwin Langner, médico cooperado da Unimed Limeira, cirurgião
de Cabeça e Pescoço, mestre em Ciências da Cirurgia pela Unicamp e docente nas
Faculdades de Medicina São Leopoldo Mandic de Limeira e de Araras, o principal
fator de risco para o câncer de boca continua sendo o tabagismo em todas as
suas formas.
"Os principais fatores de
risco incluem o consumo de produtos derivados do tabaco, que é o principal
deles, além do consumo de álcool, da falta de higiene bucal, da ingestão
frequente de alimentos excessivamente quentes e da exposição à radiação solar
nos casos de câncer de lábio", explica.
Cigarro
eletrônico não é inofensivo
Embora muitas pessoas associem o
cigarro eletrônico a uma alternativa menos nociva, as evidências científicas
apontam para o contrário. De acordo com o especialista, já está comprovado que
esses dispositivos fazem mal à saúde devido à presença de substâncias tóxicas e
às altas concentrações de nicotina.
Entre os componentes que mais
preocupam estão metais pesados, alcatrão e nicotina, todos considerados
potenciais agentes causadores de câncer.
Outro ponto de atenção é o
elevado potencial de dependência. Conforme informações da Sociedade Brasileira
de Patologia citadas pelo médico, o cigarro eletrônico pode causar até quatro
vezes mais dependência do que o cigarro tradicional. Isso ocorre porque a
nicotina chega mais rapidamente aos pulmões, à corrente sanguínea e ao cérebro.
Além disso, a quantidade da substância presente nesses dispositivos pode ser
até 14 vezes maior do que a encontrada em um cigarro convencional.
"A aparência moderna, os
diferentes sabores e aromas também atraem pessoas que nunca fumaram,
principalmente os jovens", ressalta o médico.
Atenção
aos sinais na boca
O diagnóstico precoce é um dos
principais aliados no combate ao câncer de boca. Por isso, qualquer alteração
persistente deve ser investigada.
Dr. Erwin orienta que toda lesão
na boca que permaneça por mais de 15 dias sem uma causa aparente seja avaliada
por um profissional habilitado. Entre os sinais que merecem atenção estão
lesões que aumentam de tamanho, apresentam contornos irregulares, mudam de cor,
provocam dor ou sangramento.
"O exame clínico realizado
por um profissional capacitado, associado à biópsia nos casos suspeitos,
continua sendo o principal e mais eficaz método para o diagnóstico do câncer de
boca", afirma.
Ele destaca ainda que identificar
a doença nas fases iniciais aumenta significativamente as chances de cura e
permite tratamentos menos agressivos, reduzindo sequelas e proporcionando
melhor qualidade de vida aos pacientes.
Orientação
aos pais e aos jovens
No Brasil, a comercialização e o
uso de cigarros eletrônicos são proibidos desde 2009. A restrição conta com o
apoio das sociedades médicas brasileiras, entre elas a Sociedade Brasileira de
Cirurgia de Cabeça e Pescoço, que publicou um documento em defesa da medida
assinado por 49 entidades médicas.
Diante do crescimento do consumo
desses dispositivos entre adolescentes, o especialista faz um alerta às
famílias.
"Oriento toda a sociedade,
especialmente os pais de filhos jovens, a se posicionarem frontalmente contra
esse grande perigo para a saúde representado pelos cigarros eletrônicos",
conclui.
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