São Paulo faz 1 de cada 3 transplantes no Brasil
São Paulo responde por cerca de um terço dos transplantes de
órgãos realizados no Brasil e mantém a liderança nacional em números absolutos.
Em 2025, o Estado registrou 8.875 procedimentos, o maior volume do período
analisado. O resultado reflete a estrutura da rede paulista, que reúne hospitais
de referência, centros especializados e equipes habilitadas para cirurgias de
alta complexidade.
A captação de órgãos também avançou. São Paulo passou de
1.023 doadores efetivos em 2024 para 1.363 em 2025, alta de 33,2% em um ano e
recorde histórico no Estado. Foram 340 doadores a mais no período.
Apesar dos avanços, a recusa familiar continua entre os
principais obstáculos à doação de órgãos no Brasil. Em 2025, cerca de 45% das
famílias brasileiras não autorizaram a doação de órgãos de parentes falecidos.
Na prática, quase uma em cada duas famílias disse não à possibilidade de
transformar a perda de um familiar em novas chances de vida para pacientes que
aguardam um transplante.
O baixo número de doadores também aparece na proporção da
população. Em 2025, apenas cerca de 20 pessoas a cada 1 milhão de habitantes se
tornaram doadoras de órgãos após a morte. Em uma cidade de 50 mil habitantes,
esse índice representa, estatisticamente, apenas um doador em todo o ano.
No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende
obrigatoriamente da autorização da família. Por isso, conversar previamente com
os familiares sobre a intenção de doar pode ser decisivo no momento da
autorização.
A diferença entre o número de doadores e o total de
transplantes ocorre porque um único doador pode beneficiar vários pacientes.
Rins, fígado, coração e pulmões podem ser destinados a diferentes receptores,
além de tecidos como córneas. Segundo o Ministério da Saúde, um doador pode salvar
até oito vidas.
A dimensão da rede hospitalar é um dos fatores que explicam
a liderança paulista. O Estado concentra centros especializados e equipes
transplantadoras, além de uma estrutura capaz de receber órgãos captados em
outras regiões do país por meio do Sistema Nacional de Transplantes. A
logística inclui o transporte aéreo de órgãos, o que permite encaminhar os
materiais para centros com capacidade técnica adequada ao procedimento e ao
perfil do receptor.
Minas Gerais, Ceará e Paraná também estão entre os estados
com maior número absoluto de transplantes. O ranking muda, porém, quando o
critério é proporcional à população. No indicador de doadores por milhão de
habitantes (pmp), Paraná e Santa Catarina aparecem entre os principais destaques
nacionais. A medida permite comparar o desempenho de estados com populações
diferentes. O cenário mostra duas realidades dentro do sistema brasileiro: São
Paulo lidera pelo volume total de transplantes, enquanto estados do Sul se
destacam proporcionalmente na doação.
No cenário internacional, o Brasil ocupa a quarta posição
entre 35 países em número absoluto de transplantes renais e no quadro geral de
órgãos, ocupa
a segunda posição entre os países que mais realizam transplantes, ficando atrás
apenas dos Estados Unidos. O resultado coloca o país entre os principais
sistemas transplantadores do mundo e reforça a dimensão da rede nacional.
Em São Paulo, os 8.875 transplantes realizados em 2025
consolidaram a liderança estadual. O recorde de 1.363 doadores efetivos também
mostra o avanço da captação de órgãos no período. Os números dimensionam a
importância da estrutura paulista para o sistema nacional: aproximadamente um
em cada três transplantes realizados no Brasil passa pelo Estado.
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