TV e celular ligados perto de bebês acendem alerta sobre fala, sono e audição
Manter a televisão ligada como “barulho de fundo”
ou deixar o celular próximo ao berço para reproduzir sons durante o sono pode
parecer inofensivo, mas exige atenção. Nos primeiros anos de vida, o cérebro
passa por uma fase intensa de desenvolvimento e depende de experiências como
interação com adultos, contato visual, conversas, brincadeiras e sono adequado.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que crianças menores de 2
anos não tenham contato com telas, inclusive de forma passiva.
O chamado “ruído de fundo” também pode interferir
na comunicação. O bebê desenvolve a linguagem a partir das interações com as
pessoas e da atenção às vozes ao seu redor. Um estudo publicado em 2025 no Journal of Child Language observou
bebês em suas casas e encontrou associação entre a televisão ligada e a redução
da quantidade e da variedade de palavras usadas pelas mães, além de menor
número de perguntas dirigidas às crianças. Outra pesquisa, publicada em 2024,
identificou redução nas vocalizações dos bebês e na fala materna na presença de
sons de fundo. O alerta, portanto, não se limita ao conteúdo da televisão. O
próprio ruído pode ocupar o espaço das conversas e diminuir as oportunidades de
interação.
O sono é outro ponto de atenção. Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), bebês de até 3 meses precisam de 14 a 17
horas de sono por dia. Entre 4 e 11 meses, a recomendação é de 12 a 16 horas,
incluindo os cochilos. A entidade não recomenda tempo de tela para menores de 1
ano nem para crianças de 1 ano. Aos 2 anos, o limite indicado é de até uma hora
por dia, sendo que menos é melhor. A orientação busca preservar o sono e
reduzir o tempo sedentário, além de estimular atividades adequadas à idade,
como brincadeiras, leitura e interação com familiares.
O uso do chamado “ruído branco” para ajudar o bebê
a dormir também requer cuidados. A intensidade, a distância do aparelho e o
tempo de exposição são fatores importantes. Uma pesquisa citada pela Academia
Americana de Pediatria (AAP) avaliou 14 máquinas de ruído e constatou que todas
ultrapassaram 50 decibéis a 30 centímetros quando utilizadas no volume máximo.
Três aparelhos chegaram a mais de 85 decibéis. A exposição prolongada a sons
intensos pode representar risco à audição. Por isso, a recomendação é manter a
fonte sonora afastada do berço, utilizar o menor volume necessário e nunca
colocar o equipamento dentro ou junto ao local onde o bebê dorme.
Para os pais e responsáveis, algumas medidas são
simples: se ninguém está assistindo, desligue a televisão e evite deixar o
celular próximo ao berço durante toda a noite. Para menores de 2 anos, a SBP
recomenda evitar telas. Conversas, cantigas, leitura, contato visual, colo e
brincadeiras oferecem estímulos mais adequados ao desenvolvimento infantil. Não
é necessário manter a casa em silêncio absoluto, mas criar um ambiente
tranquilo, com prioridade para a interação humana e o descanso. Em caso de
dúvidas sobre audição, sono ou desenvolvimento da fala, a orientação é procurar
o pediatra e, quando necessário, profissionais como fonoaudiólogo ou
otorrinolaringologista.
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