Automedicação pode esconder causas de dor em idosos e atrasar diagnóstico
A dor
recorrente é um dos motivos que levam idosos a utilizar medicamentos por conta
própria. Analgésicos e anti-inflamatórios podem reduzir o desconforto
momentaneamente, mas o uso frequente sem acompanhamento médico pode mascarar a
evolução dos sintomas e adiar a investigação da causa da dor. O alerta ganha
destaque em 17 de outubro, Dia Mundial de Combate à Dor, data instituída em
2004 pela International Association for the Study of Pain (IASP), com apoio da
Organização Mundial da Saúde (OMS), para ampliar a conscientização sobre o
impacto da dor e a importância do tratamento adequado.
Quando o
medicamento passa a ser utilizado sempre que a dor aparece, o paciente pode
acabar tratando repetidamente o sintoma sem descobrir o que está provocando o
problema. Em pessoas idosas, a situação exige atenção também porque é comum
haver o uso simultâneo de diferentes medicamentos para outras condições de
saúde, o que torna necessária a avaliação médica antes da inclusão ou do uso
prolongado de determinados remédios.
Artrose,
artrite, alterações na coluna, fibromialgia e problemas musculoesqueléticos
estão entre as condições que podem provocar quadros persistentes. Por isso, a
frequência, a intensidade, a duração e a forma como a dor interfere na rotina
são informações importantes para a avaliação.
A dor é
considerada um importante indicador do estado de saúde e, desde 1996, é
reconhecida como o quinto sinal vital, ao lado da temperatura, pressão
arterial, frequência cardíaca e frequência respiratória. A avaliação permite
acompanhar a evolução do quadro e identificar quando um sintoma que antes era
ocasional passa a fazer parte da rotina.
“Estima-se
que mais de 40% da população brasileira tenha dor”, afirma o Dr. Leandro
Miranda, especialista em Medicina da Dor pela USP, em Dor Crônica
Intervencionista pela FMRP-USP e membro da Sociedade
Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET) e da International Association for
the Study of Pain (IASP).
Segundo o
especialista, um dos erros mais comuns no tratamento da dor crônica é esperar
que um único procedimento ou medicamento resolva o problema. A redução
temporária da dor não significa, necessariamente, que a causa tenha sido
tratada. O acompanhamento deve considerar a evolução do quadro e os diferentes
fatores que podem influenciar a dor, como sono, alimentação, atividade física e
outras condições de saúde. Dependendo do caso, o tratamento pode envolver
diferentes estratégias e profissionais, com ajustes ao longo do tempo.
“Achar que
um procedimento sozinho resolve tudo, acreditar que o tratamento é rápido, não
olhar para os pilares básicos de saúde, não dar feedbacks continuamente para
evoluir em pontos fracos, como alimentação e sono, por exemplo, e não realizar
um trabalho com diversas especialidades, como nutricionista, psicologia e
educador físico”, explica Dr. Leandro Miranda.
Medicamentos
podem fazer parte do tratamento quando há indicação médica, mas não devem
substituir a investigação da causa da dor nem o acompanhamento do paciente.
Para o médico, a frequência da dor e a interferência dela na rotina são sinais
de que o paciente deve procurar avaliação.
“Todo caso
crônico de dor precisa de um tratamento complexo e robusto em todas as esferas
de saúde. O mais importante é focar em conseguir se movimentar mais e não nos
níveis de dor atuais. Toda tecnologia e avanço médico não substituem um bom
acompanhamento clínico no consultório, olho no olho pelo menos uma vez por mês
para avaliar o paciente e examinar novamente. Medicamentos podem ser usados, o
problema é usar somente eles. A prevenção funciona e é sempre a melhor opção”,
afirma Dr. Leandro.
Tratamento
é definido de acordo com cada paciente
Após oito
anos de atendimento a pessoas com dor, Dr. Leandro desenvolveu o Ever Living,
método de diagnóstico e tratamento dividido em quatro fases: restauração,
sustentação, lapidação e manutenção. O Ever Living é uma união da medicina
regenerativa com a integrativa.
“A
primeira etapa é voltada ao controle da dor e pode envolver recursos como ondas
focais, laser de alta potência e bloqueios, de acordo com a avaliação médica. A
partir da evolução do quadro, o acompanhamento passa a considerar outros
fatores relacionados à condição de cada paciente”, resume Dr. Leandro Miranda.
Em um caso
de artrose, por exemplo, o tratamento pode envolver redução de peso, ganho de
massa muscular e fortalecimento físico. Outras estratégias podem ser avaliadas
conforme as características e necessidades identificadas durante o
acompanhamento. A proposta é manter o acompanhamento depois da redução inicial
dos sintomas, com ajustes no tratamento de acordo com a evolução do quadro.
Ter dor
não é normal
A dor não
deve ser tratada como uma consequência natural do envelhecimento. Quando se
torna frequente, persiste por semanas ou passa a interferir no sono, na mobilidade,
no trabalho e nas atividades do dia a dia, é importante investigar o que está
provocando o sintoma. O uso recorrente de medicamentos para controlar a dor sem
acompanhamento pode aliviar temporariamente o desconforto, mas também pode
fazer com que o paciente adie a busca pela causa do problema.
A
avaliação médica permite identificar características da dor, investigar
possíveis condições associadas e definir uma estratégia de tratamento de acordo
com cada caso. O objetivo não é apenas reduzir a intensidade da dor, mas
preservar ou recuperar a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida do
paciente.
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