Outubro Rosa: o que ainda precisamos aprender sobre o câncer de mama?
Existem histórias que começam muito antes de
compreendermos seu significado. A importância do autocuidado, o combate à
desinformação e a necessidade de as mulheres priorizarem a própria saúde fazem
parte da reflexão da médica Kisy Fregolente Zambelo, professora da Faculdade
São Leopoldo Mandic, em Limeira.
“A minha relação com o câncer de mama começou
na adolescência, quando minha avó, que morava conosco, recebeu o diagnóstico de
câncer bilateral, em uma época em que os recursos para diagnóstico e tratamento
eram muito mais limitados”, destaca.
Ela acompanhou de perto seus cuidados e
aprendeu, ainda muito jovem, algo que nenhum livro de medicina seria capaz de
ensinar da mesma maneira: quando uma mulher adoece, uma família inteira sente
os efeitos. “Naquele momento, eu não conhecia a oncologia, mas comecei a
compreender a dimensão humana do cuidado. Anos depois, tornei-me médica e
passei a enxergar aquela experiência também pela perspectiva da ciência”,
disse.
Kisy destaca que, para ela, o Outubro Rosa
nunca foi apenas uma campanha. “É sobre pessoas, famílias e histórias que merecem
continuar”, disse.
Apesar dos avanços da medicina, a docente
enfatiza que ainda precisamos combater a desinformação. “O câncer de mama nem
sempre provoca dor ou sintomas perceptíveis e pode surgir mesmo em mulheres sem
histórico familiar da doença. Conhecer o próprio corpo, observar alterações
persistentes e procurar avaliação médica são atitudes importantes. A mamografia
também tem papel fundamental na detecção precoce, com indicação conforme a
idade, os fatores de risco e as recomendações médicas”, conta.
Mas existe outra questão que precisa fazer
parte dessa conversa: quantas mulheres cuidam de todos, mas deixam a própria
saúde para depois? São mães, filhas, profissionais e esposas que adiam
consultas e exames porque sempre há alguém ou alguma tarefa à frente de suas
próprias necessidades. A isso, muitas vezes, soma-se o medo de descobrir uma
doença.
Adiar o cuidado, porém, não impede que uma
doença exista. “O diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de
tratamento e aumentar as chances de sucesso terapêutico. A atividade física, a
alimentação equilibrada, a manutenção de um peso saudável e a redução do
consumo de álcool também contribuem para a redução do risco, embora não
eliminem a possibilidade de adoecimento”, destaca.
“Hoje, contamos com exames mais precisos e
tratamentos que transformaram o prognóstico de muitas pacientes”, disse. Ainda
assim, nenhum avanço tecnológico substitui a importância de acolher cada mulher
em sua integralidade, respeitando seus medos, suas expectativas e sua história.
“Quando me lembro da minha avó, penso na mulher
que ela era, na sua presença em nossa casa e nos ensinamentos que aquela
experiência deixou. Sua trajetória ajudou a construir a médica e a mulher que
sou hoje. É por isso que, todos os anos, quando chega o Outubro Rosa, penso em
quantas mulheres ainda deixam a própria saúde em segundo plano. Queremos que
elas estejam presentes na vida de quem amam, acompanhem o crescimento dos
filhos e dos netos, realizem seus sonhos e tenham muitos motivos para celebrar.
Mas, para isso, também precisam olhar para si mesmas”, destaca.
Se pudesse deixar uma mensagem neste mês, ela
afirma que seria um convite: “mulher, não permita que o amor que dedica a todos
seja maior do que o cuidado que dedica a si mesma. Você também merece atenção,
tempo e acolhimento. Afinal, cuidar de si não é egoísmo. É reconhecer que a sua
vida também importa e que a sua história merece continuar”, finaliza.
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