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17 de maio de 1931: a primeira manchete que deu início à história do jornal

Em 17 de maio de 1931, foi publicada a primeira manchete de capa do jornal, marcando o início de sua trajetória na imprensa. A edição inaugural registrava um momento político importante do Brasil no pós-Revolução de 1930, ao mesmo tempo em que revelava uma forma de escrita bastante diferente da atual, característica de um período anterior à padronização da língua portuguesa.

A notícia tratava da expectativa de visita de importantes lideranças militares ligados ao movimento revolucionário, entre elas o Marechal Isidoro, o General Miguel Costa e o Coronel João Alberto. A cidade de Limeira se preparava para recebê-los com festividades, que acabaram sendo adiadas devido à impossibilidade de comparecimento de uma das autoridades, com nova data marcada para 26 de maio.

Mais do que o conteúdo histórico, a manchete chama atenção pela grafia utilizada no início do século XX, revelando uma língua portuguesa ainda em processo de evolução ortográfica. A escrita apresenta características como duplicação de consoantes, uso de hífens em palavras compostas e aglutinações incomuns, além de construções textuais mais extensas e ornamentadas.

Abaixo, a reprodução fiel da manchete original preserva essas marcas da época:

“Limeira esperava hoje a visita dos heroicos chefes dos revolucionários Marechal Izidoro, General Miguel Costa e Coronel João Alberto, atendendo a pedido telegráphico, em virtude do impossível comparecimento do Marechal Izidoro a commissão carregada dos festejos em honra aos grandes chefes, resolver adiar as festas para o próximo dia 26 de maio, marcado pelo próprio coronel João Alberto, em telegramma enviado ao Doutor Lauro Corrêa da Silva, prefeito Municipal de Limeira.

LIMEIRA cobre-se de galas mil para receber nessa data a honrosíssima visita dos heroicos e inconfundíveis Chefes Revolucionários.
A terra bemdicta do valoroso e inesquecível Tenente Belizário Leite de Barros Filho, o nosso querido Jayto, sente-se orgulhosa de receber em seu meio social, os destemidos soldados que souberam galhardamente trocar todas as honrarias e confortos dos seus elevados postos militares, pelas agruras cruciantes de longas, duras e penosas batalhas em favor do Direito sagrado do povo”.

Esse registro evidencia não apenas um momento político e social relevante, mas também o modo como o jornalismo da época construía suas narrativas, com forte tom descritivo e enaltecedor dos personagens e acontecimentos. Quase um século depois, essa primeira manchete permanece como um marco fundador, preservando a memória de uma época e da própria evolução da língua portuguesa no jornalismo brasileiro.

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